Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Medo do fracasso, marmita e relação com a torcida: Pedrinho abre o jogo

Atacante do Corinthians conta ao Estado suas dificuldades no início de carreira e revela detestar verduras

Entrevista com

Pedrinho, atacante do Corinthians

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2018 | 07h00

Na sexta-feira da semana que vem, dia 13, Pedrinho completa 20 anos e nada melhor do que o título do Paulistão para celebrar a data. O garoto ainda nem se firmou como titular e já virou xodó da torcida do Corinthians. Em entrevista ao Estado, mostra maturidade e conta que chegou a temer fracassar na tentativa de se tornar jogador profissional. Falou do desafio de comer corretamente e da responsabilidade em lidar com o torcedor. 

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Chegou a hora de ser titular?

Estou muito feliz por ter mais oportunidades e mostrando o meu futebol. Tenho que respeitar os companheiros, mas quero buscar o meu espaço, agora que estou em melhores condições físicas. 

Como lidar com a mudança de promessa a xodó da torcida?

Quando a pessoa vem de uma família humilde, sabe dar valor quando chega lá. Todo mundo pede para tirar foto comigo e ter um contato, tento dar atenção para todo mundo, porque eu já estive no lugar deles e queria um autógrafo do Cássio, Jadson, Jô... Meu pai ficava louco para tirar foto com esses caras e hoje ele consegue. Tenho que valorizar isso. Quando eu estava na base, morria de medo de falhar e não chegar ao profissional.

Pensou em desistir?

Vários momentos, principalmente quando fui dispensado do São Paulo (quanto tinha 14 anos). Pensei em voltar para casa, mas meu pai me incentivou a não desistir. Quando cheguei no Sub-20 e via que as coisas não aconteciam, ficava pensando: ‘Saí de casa com 12 anos, vou ficar até os 20 tentando e não vai acontecer nada? Perdi minha infância inteira, faltava na aula para jogar futebol, para nada?’

Chegou a pensar em fazer alguma outra coisa?

Não pensei em nada. Vou fazer faculdade do quê? Eu tinha que ser jogador. Se eu não fosse, não faço ideia do que poderia ser de mim. Completei o segundo grau e até pensei em estudar, fazer faculdade de Educação Física, mas isso é complicado, por causa dos horários dos treinos, jogos e viagens. Quero estudar inglês também. 

Como lida com o assédio?

Quando você alcança alguma coisa, as pessoas chegam em você por interesse mesmo. Sei lidar bem com isso. Não é todo mundo que chega em você por interesse, também tem pessoas de bom coração e consigo diferenciar isso.

Você tem demonstrado muita personalidade e pés no chão? Tem ajuda de alguém para isso?

Converso bastante com o meu pai, só que eu penso que o tempo faz a gente amadurecer. Hoje, não sinto mais aquela pressão de ter que dar certo no profissional. Sei que ainda não sou titular, estou buscando o meu espaço, só que a união do grupo me ajuda, pois os jogadores mais experientes passam confiança e deixam a gente mais tranquilo.

O Carille sempre fala sobre sua melhora na alimentação... Afinal de contas, o que você comia ou come de tão errado? 

Eu gostava de trocar o jantar por bolacha. Não comia só besteira, mas essa troca de refeição me prejudicava um pouco. Agora, o clube me ajuda, faz marmita para eu levar para casa. Moro sozinho e fica complicado, né? Antes, eu chegava em casa, dava uma preguiça de fazer ou pedir algo, aí eu via a bolacha e comia isso mesmo.

O que vai nessa marmita? 

Coisas que eu gosto. Arroz, feijão, macarrão, uma carne, essas coisas. O tratamento que eles têm por mim é especial e nunca tinham feito isso por outro jogador. Até por isso estou levando a sério essas coisas. 

Você teve uma alimentação deficitária na infância? 

Meu pai nunca deixou faltar nada em campo, mas eu beliscava alguma coisa e ia jogar bola. Eu não era de sentar para comer. Ia jogar bola na hora do almoço e nunca gostei de verdura e legumes. Meu pai pegava no meu pé para eu comer direito e quando ele estava próximo era mais fácil ter o controle disso, pois ele sempre me obrigava a comer certo.

O que mais você detesta?

Essas coisas, tipo, alface, cenoura, beterraba... Não gosto de nada disso e para comer essas coisas é um sacrifício. Tomate até dá para comer. Jogo um sal em cima e pronto. 

A nutricionista do Corinthians pega muito no seu pé?

Tem um controle grande, sim. Eles passam o que eu preciso comer. Ela faz um cardápio com coisas que eu gosto. Isso é legal, porque muitas vezes ela consegue fazer coisas ruins, que ficam boas por causa do jeito que ela faz. Tudo isso está me deixando mais forte. 

O gol contra o Bragantino, de fora da área, é sinal de que está mais forte e confiante?

Sim, isso passa também pelo trabalho do dia a dia. Antes, eu não chutava tanto e precisei aprimorar essa parte. Aos poucos, as coisas vão evoluindo. 

Qual a maior dificuldade em campo?

Antes, eu corria atrás do prejuízo e agora consigo me posicionar melhor para me desgastar menos. Também estou puxando mais para os dois lados do campo e não só tentando levar a bola para a parte lateral. 

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