Meia Valdívia faz juz ao apelido de 'louco'

Adversários não gostam das 'provocações' do meia chileno, que é defendido pelo elenco do Palmeiras

Daniel Akstein Batista, O Estado de S. Paulo

21 de abril de 2008 | 19h26

O apelido de "louco" que Valdivia ganhou no Chile não foi à toa, não. Seu comportamento dentro e fora de campo explica a fama. Ele chama os adversários para o drible, os provoca, irrita todo mundo. E apanha de todos eles. Na vitória sobre o São Paulo, domingo, no Palestra Itália, a história não foi diferente. Após o segundo gol, fez um gesto de cala-boca aos são-paulinos. E armou a confusão.A cena não é nova. Contra o Corinthians, na primeira fase, provocou os rivais ao comemorar seu gol com as mãos nos olhos, chorando de alegria. E repetiu a festa também contra o São Paulo na goleada por 4 a 1, em Ribeirão Preto. "Ele tem muita qualidade, prende a bola. E sua irreverência deixa os adversários com raiva", diz o volante Wendel.O modo como Valdivia joga irrita os rivais. Seu chute no vazio (jogada em que simula um chute, mas sai para o drible) já foi criticado por alguns adversários. Ele é provocador, mas acentua suas provocações quando o resultado já está pronto, quando o Palmeiras está ganhando com tranqüilidade.Por tudo isso, o chileno já levou broncas de Vanderlei Luxemburgo. Até mesmo no domingo. O treinador não gostou nada de ver o Mago no meio da confusão que ocorreu após a queda de energia no estádio, aos 40 minutos do segundo tempo.A preocupação do técnico era com uma provável expulsão de Valdivia. Ele já havia recebido cartão amarelo antes e, na hora do empurra-empurra, levou um tapa de Rogério Ceni no rosto. Os são-paulinos estavam inconformados com as atitudes do chileno. "O que ele faz em campo às vezes irrita os adversários. É por isso que é perseguido", diz o zagueiro Henrique.Os são-paulinos não fizeram questão nenhuma de esconder o descontentamento com o jogador. "Todas as vezes em que o Palmeiras está envolvido em polêmica, o nome dele aparece no meio. Será que todos estão errados e só ele certo?", desabafou o volante Jorge Wagner.No domingo, na primeira partida da final contra a Ponte Preta, Valdivia dificilmente deixará seu ímpeto provocador de lado. Mas terá de tomar cuidado: novo cartão amarelo o deixará fora da decisão."O grupo que vai ser campeão", nas palavras de Luxemburgo, nunca esteve tão perto de um título. A vitória sobre o São Paulo pôs o time na final do Estadual após nove anos. A torcida comemora, os jogadores estão ansiosos. Mas o assunto que começa a ganhar destaque no clube é outro: o jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil, na quinta-feira, contra o Sport, no Palestra Itália. "Já passamos uma borracha no clássico", conta Wendel. "Temos de esquecer a euforia da vitória [de domingo], já vibramos bastante. Agora é pensar no Sport."

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