JF Diorio/Estadão
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Melhor árbitro do Paulista se recusa a apitar pela CBF

Guilherme Ceretta é afastado após apitar um jogo no Brasileirão

Eduardo Barretto, Especial para o Estado

15 de outubro de 2015 | 18h57

O melhor árbitro do Campeonato Paulista deste ano está afastado do quadro da CBF. A única partida do Brasileirão que Guilherme Ceretta de Lima apitou fez com que ele fosse suspenso temporariamente, depois de, na avaliação da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf), errar ao não expulsar o então atacante do Coritiba Wellington Paulista por ofensas a um auxiliar de arbitragem, em partida contra o Flamengo. Em seguida, Ceretta não compareceu a testes teóricos e práticos da comissão - e diz que não apitará mais pela CBF.

"Pela CBF, enquanto a gente tiver esse tipo de pessoas no comando, em que os critérios não sejam bem definidos, que fica colocando em dúvida todo esse processo, eu prefiro ficar fora dele. Continuo apitando em São Paulo, sendo comandado por pessoas que têm caráter", disse o árbitro em entrevista ao Globo Esporte nesta quinta-feira. Ceretta dirige suas críticas principalmente a Sérgio Corrêa, presidente da Conaf. 

As insatisfações de Ceretta não começaram no Brasileirão. Guilherme Ceretta de Lima, de 31 anos, integra a lista de aspirantes ao quadro da Fifa, foi eleito o melhor juiz do Paulistão e apitou a final do torneio. No segundo jogo da decisão, em 3 de maio, na Vila Belmiro, Ceretta levou um empurrão do atacante Dudu, do Palmeiras depois de expulsá-lo e de dar cartão vermelho também ao meia Geuvânio, do Santos. Pelo empurrão, Dudu foi condenado a 180 dias de suspensão, mas, depois de recurso, teve a pena reduzida para seis jogos. O árbitro reagiu escrevendo em nota que seriam necessários "mais uns 50 anos" para que os juízes fossem respeitados no Brasil. 

"Aprendi muito nesses 15 anos de arbitragem. Inclusive, que vai levar mais uns 50 anos para se valorizar ou pelo menos respeitar o árbitro", declarou Ceretta. 

Em 13 de junho, no Couto Pereira, um mês após a final do Paulista, o juiz foi questionado por não ter expulsado Wellington Paulista, do Coritiba, contra o Flamengo. Após uma dividida, a bola saiu de campo pela linha lateral, e o bandeirinha havia marcado posse de bola para o Flamengo. O atacante irritou-se e xingou o auxiliar Marcelo Carvalho Van Gasse. O jogo seguiu - Flamengo acabou vencendo por 1x0, pela 7ª rodada - mas o lance custou caro. Foi a única partida do Brasileirão que Ceretta apitou neste ano. Depois disso, ele faltou a testes da Conaf e foi afastado dos sorteios seguintes e do quadro de árbitros da CBF. 

"Por alguns critérios, na minha opinião considerados abaixo do ideal, preferi não dar continuidade no processo de testes e provas perante à CBF. Quando a gente tem um grupo trabalhando de alguma forma errada ou sendo influenciado, o comando acaba sendo um pouco confuso", afirmou Guilherme Ceretta, que apitava jogos da primeira divisão desde 2006, e esteve em campo pela última vez neste ano em julho, em uma partida do Campeonato Paulista da Segunda Divisão - que, apesar do nome, equivale à 4ª Divisão. 

Ceretta não tem problemas em apitar pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Ele diz que deve comparecer aos testes da federação, que deverão ser em dezembro ou janeiro. Neste ano, o árbitro não apitará mais competições nacionais. Ele só voltará a apitar partidas de competições nacionais no ano que vem se a FPF indicá-lo. 

Para Sérgio Corrêa, que preside a Conaf, o único motivo de Ceretta estar fora do quadro da CBF é do próprio árbitro: sua ausência nos testes. Corrêa diz que Ceretta deixa a comissão sem escolhas.

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