Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Melhor ataque da Copa é teste definitivo para paredão brasileiro

Bélgica já marcou 12 gols em quatro jogos do Mundial da Rússia, média de três por partida; bola aérea preocupa

Almir Leite e Ciro Campos, enviados especiais / Sochi, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2018 | 05h00

A seleção brasileira levou apenas um gol nesta Copa - em lance polêmico em que o zagueiro Miranda foi “levemente empurrado”, como atestou o árbitro de vídeo (VAR). Desde que Tite assumiu o comando, em 25 jogos foram apenas seis gols sofridos. Sinal da força da defesa. Na sexta-feira, porém, o setor vai ter seu maior teste: a Bélgica, adversário das quartas, tem o melhor ataque do Mundial. Em quatro partidas, marcou 12 vezes, média de três por jogo.

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A força ofensiva da Bélgica se baseia no entrosamento de seus jogadores e no trio de ataque formado por Hazard, Dries Mertens e Lukaku. Os três se movimentam bastante e são permanentemente municiados pelo meio-campo talentoso sob a batuta de De Bruyne. Tite gosta de dizer que a força defensiva do Brasil começa no ataque, com todos os jogadores, inclusive Neymar, desempenhando alguma função de marcação quando o rival está com a bola ou armando uma jogada ofensiva.

“Sempre defendemos com todos os atletas. A defesa não é só Thiago (Silva) e Miranda”, explica o auxiliar técnico de Tite, Cléber Xavier. “É um sistema que se posiciona para defender com todos os atletas na perda da bola.” Tem sido assim.

O problema é que, contra a Bélgica, o Brasil não terá seu principal jogador de marcação. O volante Casemiro recebeu o segundo amarelo contra o México e cumpre suspensão automática. Volta na semifinal, se o Brasil passar. A eficiência do desarme e cobertura do jogador do Real Madrid tem sido fundamental para o sucesso da defesa, que raramente permite chances claras de gol do oponente.

 

O ataque da Bélgica tem como principal jogador de conclusão o centroavante Lukaku, forte e bom nas bolas aéreas. Nos últimos 11 jogos, contando os amistosos pré-Copa, ele marcou 13 gols, boa parte deles de cabeça. “É uma engrenagem que funciona voltada especialmente para os gols de Lukaku”, admitiu recentemente Hazard, companheiro do meia brasileiro Willian no Chelsea. “Ele tem grande facilidade para fazer gols. De cada três chances, aproveita duas”, exagera Hazard. Na Rússia, Lukaku já fez quatro.

Quem é que sobe? Mas é fato que as jogadas aéreas são o principal problema da defesa brasileira. Dos seis gols sofridos na era Tite, quatro foram de cabeça e um, na derrota para a Argentina em amistoso realizado no ano passado na Austrália, ocorreu no rebote de uma cabeçada na trave do time de Messi.

A bola aérea, tanto ofensiva quanto defensiva, é um dos principais pontos treinados por Tite. Na defesa, ele enfatiza sempre a necessidade de um bom posicionamento, não apenas dos zagueiros, mas também dos atacantes, quando o Brasil comete faltas nas proximidades da área ou cede escanteios.

Anular os armadores belgas, sobretudo Kevin De Bruyne, vai ser importante para que a bola chegue aos atacantes. Daí a necessidade de funcionar o pedido para que todos ajudem na marcação. Tite reconhece a força defensiva da seleção, mas diz que a equipe funciona como um todo. “Nós procuramos ter um time equilibrado, com criação e infiltração de jogadas dos dois lados e coordenação de movimentos defensivos”, explica.

Considerados os pilares da defesa, os experientes zagueiros Thiago Silva e Miranda têm feito grandes apresentações, e até agora inspiram confiança. Raramente perdem uma disputa de bola pelo alto - no gol da Suíça, na primeira rodada, Miranda foi tocado pelo jogador suíço e por isso não alcançou a bola após a cobrança de escanteio. Por baixo, os zagueiros brasileiros ou desarmam ou se colocam à frente dos chutes adversários, como barreiras. Foi assim nos primeiros minutos do jogo das oitavas, contra o México.

Segundo dados da Fifa, o Brasil é a terceira seleção que mais bloqueou chutes rivais, 20 no total - alemães bloquearam 23 e espanhóis, 21. O time sofreu cinco finalizações ao gol nos quatro jogos da Copa do Mundo.

Contra a Bélgica, a dupla pretende manter o índice da defesa. “Para nós, defensores, é muito gratificante sair de um jogo sem sofrer gols. Mas não é só o setor defensivo que tem obtido êxito. Nossos jogadores de ataque têm ajudado”, reconhece Thiago Silva. Miranda destaca a força coletiva. “Em determinados momentos do jogo você sofre, mas tem o entendimento para todos sofrerem juntos.”

Capitão contra Costa Rica e México, Thiago Silva diz que a Bélgica será um obstáculo complicado. “É um time de qualidade incrível, com grandes jogadores. Vai ser um jogo definido nos detalhes e não tenho dúvida de que será o mais difícil pra gente.”

 

 

 

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