Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Melhor de CR7 ainda está por vir

Pênalti perdido não tira o brilho do atacante neste Mundial

Raphael Ramos*, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 04h00

Pelo bem ou pelo mal, basta Cristiano Ronaldo entrar em campo para fazer história. Nesta segunda-feira, ao errar um pênalti contra o Irã, o atacante se tornou o primeiro jogador a desperdiçar uma cobrança pela seleção de Portugal em Copa do Mundo. Quando o craque falhou diante do goleiro Ali Beiranvand, o placar apontava 1 a 0 para os portugueses. Se Cristiano Ronaldo tivesse convertido o pênalti, certamente Portugal não teria sofrido tanto para garantir o seu bilhete de embarque para as oitavas de final. Talvez até avançasse na liderança do grupo e, assim, iria enfrentar a Rússia, um adversário mais fraco do que o perigoso Uruguai.

+ Adriana Moreira - Mandinga de torcedor

O pênalti perdido, no entanto, não tira o brilho de Cristiano Ronaldo neste Mundial. Ele continua sendo, até agora, o “cara” da Copa, mesmo sem ocupar o topo da lista de artilheiros – o inglês Harry Kane balançou as redes cinco vezes. A atuação do gajo na estreia contra a Espanha foi um arraso. Coisa para ficar guardada na memória. Depois, contra o Marrocos, fez um gol que pode até parecer simples, mas não é. Com um ágil jogo de corpo, conseguiu se livrar do marcador enquanto a bola voava pela área.

Considero ser impossível falar de Cristiano Ronaldo sem compará-lo com Messi e Neymar. Se os demais jogadores da seleção de Portugal jogam para ajudar o principal astro do time, na Argentina ocorre justamente o contrário. Os dez outros jogadores em campo parecem atrapalhar Messi. Sem contar, é claro, o confuso técnico Jorge Sampaoli. Não à toa, o time está à deriva, a caminho do naufrágio. Messi também errou um pênalti, mas o seu maior problema na Copa não foi apenas esse lance diante da Islândia, e sim a atuação apagada contra a Croácia, quando se arrastou em campo. Já Neymar, até aqui, chamou muito mais atenção pelo choro do que pelo seu gol na Costa Rica.

Cristiano Ronaldo não está de brincadeira na Rússia. Aos 33 anos, mas com vigor físico de garoto, o craque sonha alto neste Mundial. Se durante décadas Portugal esteve à margem do clube das grandes seleções, o título da Eurocopa em 2016 mudou essa história. Aquela taça mostrou que, um time que conta com Cristiano Ronaldo no ataque, tem todo o direito de almejar o topo do mundo. Não é utopia. Os demais jogadores foram o arco, e CR7 é a flecha.

 

Nas oitavas de final, a parada será dura. O Uruguai tem um sistema defensivo muito forte e atacantes que não costumam desperdiçar boas oportunidades. Mas a vocação de Cristiano Ronaldo é, desde sempre, fazer gols, inclusive contra os uruguaios Godín e Suárez, seus adversários de Atlético de Madrid e Barcelona na Espanha.

A história da Copa do Mundo é escrita por grandes nomes. Os medíocres não têm espaço no maior torneio do planeta. Independentemente do que ainda vai acontecer daqui para frente, Cristiano Ronaldo já cravou a sua assinatura no Mundial. O meu palpite, no entanto, é que o melhor ainda está por vir. Aguardem.

*CHEFE DE REPORTAGEM DE ESPORTES DO ‘ESTADÃO’

 

 

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