Hélvio Romero/Estadão
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Melhora o nível do futebol

E quem quiser participar da “brincadeira”, pelo jeito, terá de se aprimorar

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 04h00

O torcedor mais fanático do Corinthians sonhou em ganhar o Brasileiro quando viu sua equipe em terceiro lugar, atrás apenas de Flamengo e Santos, após a vitória sobre o Atlético-MG, no finalzinho da partida, há duas semanas, em Itaquera. Mas naquele momento, antes e até hoje, o que se observa é um time inconstante, com futebol irregular e pobre ofensivamente, por mais que Carille tente melhorar o desempenho ofensivo. 

Foi por essas e outras que na rodada derradeira do turno, os corintianos perderam em Brasília, campo neutro, para o Fluminense em crise, vindo de derrota para o Palmeiras e na zona de rebaixamento. O futebol do tricampeão paulista na primeira metade do campeonato não o credencia a sonhar com mais um troféu nacional.

A falha de Cássio, mais uma, é minimizada pelo cartel de atuações do goleiro. Mas é o segundo jogo consecutivo no qual ele deixa a desejar. O gol olímpico que levou no último lance do surpreendente empate com o Ceará, oito dias antes, em São Paulo, se soma a esse enorme frango em chute fraco e de longe desferido por Paulo Henrique Ganso. Uma tarde de mau futebol que eleva a responsabilidade do time e de seu treinador às vésperas do jogo semifinal pela Sul-Americana, contra o Independiente Del Valle, quarta, na Arena do clube, tema de pauta confusa nos últimos dias, com a cobrança de aproximadamente R$ 500 milhões feita pela Caixa. Um problema antigo fora de campo que se soma aos que vemos dentro das quatro linhas.

Já o Palmeiras reage sob o comando de Mano Menezes, fechou o primeiro turno na vice-liderança, a três pontos do Flamengo após nove pontos conquistados em três vitórias consecutivas depois da chegada de seu novo treinador. Triunfos importantes, mas obrigatórios, ante a fragilidade dos times que o campeão brasileiro enfrentou em intervalo de oito dias. O Goiás é um dos piores da Série A, o Fluminense que foi ao Allianz era uma equipe bem abaixo daquela que derrotou o Corinthians, enquanto o Cruzeiro, em profunda crise, vive fase tão ruim que voltou à zona de rebaixamento, trocando de colocação com o próprio tricolor carioca após a combinação de resultados da rodada derradeira do primeiro turno. Adversários sob medida.

Evidentemente, o Palmeiras precisará evoluir em sua proposta de jogo. Tarefa de Mano, que deixara o próprio campeão mineiro em péssima situação após encaminhar a eliminação na Copa do Brasil em jogo com o Internacional. O time que jogava sem posse de bola necessita desenvolver uma maior diversidade em seu jogo para seguir na perseguição aos rubro-negros e sempre atentos à disputa com o terceiro colocado, o Santos, que apesar de um final de turno com declínio, mostrou na derrota para o líder no Maracanã, sábado, que seu técnico, Sampaoli, consegue, sim, tirar mais do que se espera de um elenco com claras limitações. O duelo será pesado, pelo jeito, quem quiser brigar pelo título brasileiro precisará jogar um futebol mais intenso, competitivo, que não rejeite a bola.

Foi essa a mensagem deixada pelo jogo de sábado, vencido pelo Flamengo, no Maracanã. Dois times competitivos, que duelaram técnica e taticamente, em jogo caracterizado pela pressão forte em quem detém a bola, espaços negados ao rival e jogo coletivo bem acima do que se vê habitualmente no futebol brasileiro. O nível do futebol está subindo por aqui, reflexo da presença de dois Jorges, Jesus e Sampaoli, que fazem um elenco mediano brigar pela 1.ª colocação e outro, fortíssimo, não só justificar o investimento, como produzir algo de qualidade, que chama a atenção, em pouco mais de 80 dias de trabalho. E quem quiser participar da “brincadeira”, pelo jeito, terá de se aprimorar. Que ótimo!

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