Melles: saída de Teixeira está perto

Relatório da CPI do Futebol aprovado por unanimidade no Senado, investigações a pleno curso no Ministério Público e na Receita Federal, além da criação das ligas para organizar o futebol em 2002. Na opinião do ministro dos Esportes, Carlos Meles, tudo isto é um bom sinal para o futebol brasileiro. Mas o "grand finale" ainda precisa vir: "o fechamento perfeito só vai acontecer quando o Ricardo Teixeira renunciar ao cargo", confidenciou Melles a um de seus assessores diretos. O ministro acredita que este momento está cada vez mais próximo. Meles conta que o próprio dirigente procurou o ministro, antes do término da CPI, queixando-se que tinha um filho para criar e estava muito cansado de todos os holofotes e críticas veiculadas na imprensa contra o seu nome. "Basta você renunciar", aconselhou o ministro. Uma semana antes da votação do relatório final, o presidente da CBF sinalizou com a possibilidade da renúncia, para tentar escapar do indiciamento pelos senadores. Era tarde demais. Teixeira foi citado em 27 casos de apropriação indébita, evasão de divisas e sonegação fiscal, mas continua em seu cargo. O cerco, no entanto, ficará ainda mais fechado, quando for concluída uma medida provisória que prevê o afastamento imediato de dirigentes de clubes, entidades e federações acusados de malversação de gastos, crimes tributários ou não prestação de contas das entidades que representam. A esperança do ministro é de que a junção da MP com as investigações do Ministério Público, possam decretar o afastamento de nomes como Ricardo Teixeira, José Eduardo Farah (presidente da Federação Paulista de Futebol e da Liga Rio-São Paulo) , Eurico Miranda (presidente do Vasco) e Edmundo Santos Silva (presidente do Flamengo). A situação de Farah também tem gerado desconforto no ministro. Mesmo sendo indiciado no relatório final da CPI por prática de crimes como evasão de divisas, apropriação indébita e sonegação fiscal, Farah foi eleito presidente da Liga Rio-São Paulo, que irá reunir os principais clubes dos dois Estados em substituição aos dois campeonatos regionais. O ministro tem recebido críticas por continuar mantendo contatos com o dirigente paulista mesmo após as suspeitas levantadas contra ele. "O que eu posso fazer, se ele é presidente da Liga"?, respondeu Meles a um dos críticos que o chamaram de ingênuo. As ligas, de acordo com o ministro, foram criadas como uma maneira de moralizar o futebol brasileiro. "Desta forma, a CBF fica mais leve, deixa de se preocupar com campeonatos e concentra suas atenções na seleção brasileira", aposta. As primeiras confusões entre seus integrantes não surpreenderam o ministro. "Eu me lembro como foi confuso para organizar o campeonato brasileiro deste ano". Melles considerou previsível as posições apresentadas pelos presidentes do Vasco, Eurico Miranda, do Flamengo, Edmundo Santos Silva, que se recusaram, em um primeiro momento, a participar do torneio Rio-São Paulo de 2002. "Vai ter dissidência, trincas, xingamento". Nada que macule o futuro das ligas. "Elas têm de começar a funcionar, pois são a maneira mais eficiente de gerir o futebol".

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