Mello não sabe origem do dinheiro da MSI

Apesar de ocupar um dos cargos mais importantes do clube, o vice-presidente de Finanças do Corinthians, Carlos Roberto Mello, afirmou que não sabe qual a origem do dinheiro da contratação do argentino Carlos Tevez e dos outros jogadores que a MSI trouxe do Exterior para reforçar o time, pois estranhamente os recursos não passaram pelas contas do clube. Esse é um dos principais pontos do depoimento prestado por Mello, hoje à tarde, no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). "Ele disse que não conhece os investidores e, a pedido de outros dirigentes, ficou à parte das negociações com a MSI, por se tratar de transações sigilosas", contou o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro. "Se for um investidor internacional, não há necessidade de o dinheiro passar pelo Brasil. Até agora, não vi nenhuma irregularidade", defendeu-se Mello. A primeira fase da investigação do Ministério Público de São Paulo sobre a movimentação financeira entre MSI e Corinthians termina com o depoimento do presidente da MSI, Kia Joorabchian, marcado para dia 31. Mello confirmou que a esposa (cujo provável nome é Carla) do investidor russo Boris Berezovski esteve no Corinthians, em agosto ? conforme antecipou a Agência Estado, dia 26 daquele mês ? e foi recepcionada pelo presidente Alberto Dualib e o vice, Nesi Curi. "Nos outros depoimentos, ninguém havia confirmado a visita. Isso mostra claramente que Berezovski esteve envolvido na negociação desde o início", concluiu Carneiro. Outro ponto confirmado por Mello foi a vinda ao Brasil, em agosto, do iraniano Reza Kiermani, auditor da MSI, que teve acesso às contas do Corinthians. "De forma estranha e pouco usual, algumas transações de milhões de dólares foram feitas através de uma conta de e-mail gratuito", disse Carneiro. Em seu depoimento, Mello também informou que o Corinthians recebeu US$ 700 mil, há cerca de duas semanas, inicialmente como empréstimo da MSI. Mas ao entrar no Brasil, o dinheiro se tornou parte dos investimentos da parceria. "Até agora, os dados que levantamos mostram a intenção da parceria de deixar o dinheiro o mais distante possível do investidor inicial, o que é uma das características da lavagem de dinheiro", explicou Carneiro.

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