Memória viva do Palmeiras, Leão quase não veio para o clube

Goleiro, que disputou 617 partidas, estreou no time titular em 1969, depois de deixar Ribeirão Preto e chegar a São Paulo aos 19 anos

Daniel Batista, Diego Salgado, Glauco de Pierri e Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2014 | 06h00

Se há uma posição que historicamente o Palmeiras nunca foi carente foi a de goleiro. Muitos tiveram qualidade excessiva, mas muitos poucos tiveram tanta personalidade quanto Emerson Leão. Dos sete presidentes Alviverdes ainda vivos, dois, Salvador Hugo Palaia e Arnaldo Tirone, o colocam como o melhor arqueiro que passou pelo gol palmeirense. Jogou quatro Copas do Mundo como jogador do Palmeiras. Por pouco, no entanto, essa história não foi construída.

"Eu era um menino do interior, um garoto de 19 anos que já havia jogado 5 anos como profissional. Tanto que eu não queria nem ir (para São Paulo). Eu estava lá em Ribeirão Preto, havia acabado o tiro de guerra e meu pai apareceu lá falando que os caras (do Palmeiras) estavam me procurando. E eu disse 'ah pai, eu não vou não', mas acabei vindo para três meses de teste", relembra.

Pouco conhecido na época, acabou tendo a sorte ao seu lado para virar titular, semelhança com Marcos (que ganhou posição na Libertadores com a lesão de Velloso). "O Chicão (goleiro titular na época) machucou e aí eu entrei no gol inesperadamente. No dia em que eu fui entrar a primeira vez, era minha vez de ficar no banco. O Filpo Núñez fazia um rodízio. Na hora de entrar ele perguntou: como é que você chama. Eu disse: 'sabe que eu esqueci', acabei com ele. Ganhamos de 6 a 2 da Juventus".

FASES

Um dos pilares da segunda Academia do Palmeiras, acabou acompanhando o time nos bons e maus momentos. Voltou na década de 1980, no meio da fila, para encerrar sua carreira (atuou entre 1984 e 86). Virou técnico entre 1989 e 90 no clube que o projetou como goleiro e novamente em 2005, já em um período de vacas magras. Fala com conhecimento de causa da situação atual.

"Hoje o Mundo Palmeiras..", fala com desgosto. "Antigamente, você conversava com diretores, antes o presidente, o Facchina, o Paschoal Giuliano. Falar com o presidente era honra. Ele vinha a campo todo encapotado, São Paulo com o clima . Era um prazer recebe-lo", explica. Mas isto não significa que não acredita no trabalho do atual presidente, Paulo Nobre.  

"Acho que ele tem coisa boa. Não que ele seja perfeito.  Acho que ele esta precisando de apoio e de gente".

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