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Meninas do futebol continuam pesadelo

O brilho da prata olímpica conquistada em Atenas pelas meninas da Seleção Brasileira de futebol já se apagou. As promessas de patrocínio, salário, Liga Profissional, virou tudo fumaça e decepção. A liga não tem data para começar, o prêmio de R$ 25 mil não foi pago integralmente - até agora as garotas só receberam R$ 16 mil - e o futuro da modalidade, como antes da Olimpíada, é incerto.Logo após a ótima campanha em Atenas, a CBF anunciou com estardalhaço um projeto para bancar as 18 jogadoras da Seleção. Objetivo: salvar a modalidade e evitar o êxodo para o exterior. Na prática, nada foi feito. Cristiane, Elaine e Pretinha, por exemplo, já foram cuidar da vida no exterior. Marta e Formiga continuam na Suécia.Não bastasse a debandada, a maioria das garotas está no desvio. É o caso da goleira reserva ?Maravilha? - Marlisa Wahlbrink -, de 31 anos, veterana de 10 anos de Seleção. Em Maravilha, cidade no oeste de Santa Catarina, Marlisa está sem clube desde 2002 e treina com professores que jogam salão na escola onde o marido leciona geografia. O time já tem goleiro homem. Ela treina na linha. Enquanto não arruma clube, Maravilha ganha o pão vendendo chuteiras, além de dar uma força à família na roça. Lá, ajuda a cuidar de outro campo. "Temos ovos, carne e leite. Economizamos dinheiro com comida", diz ela.Aos 31 anos, Maravilha não vê futuro para ela no futebol. "Se tiver condições, claro, vou seguir jogando. Mas já ouvi tanta promessa não cumprida, que tenho medo de fazer planos", diz a atleta, que já passou por Palmeiras, Portuguesa São Paulo e Grêmio. Quem também está sem saber o que fazer é Juliana Cabral. Ela jogou a temporada passada pelo São Bernardo e espera renovar. Marta, de 18 anos, embarca na quinta-feira para a Suécia, onde defenderá pela segunda temporada o Umea Ik, que contará com o reforço da também brasileira Elaine. "Minha filha diz que a diferença entre o dinheiro pago lá fora e no Brasil é muito grande. Ela tem vontade de jogar aqui, mas ela só volta se alguém pagar o que pagam lá fora", disse dona Tereza, mãe da terceira melhor jogadora do mundo, segundo a Fifa.A mãe e os irmãos de Marta continuam morando em Dois Riachos - a 170 km de Alagoas. Dona Tereza foi à Suécia no ano passado, quando ficou quase dois meses, mas não se adaptou. "Fazia tanto frio, tanto frio, que vim embora. Mas estou contente com o que vi lá. O lugar é lindo, ela recebe salário direitinho e tem todo apoio." O salário? "Não é muito, não, minha filha. Mas com certeza mil vezes melhor que no Brasil."Mônica, zagueira, não teve a mesma sorte de Marta. "Tenho esperanças, claro, mas ainda acho que a melhor saída é jogar no exterior. Só que para conseguir isso a gente sofre. Falta alguém para fazer o meio-de-campo". Mônica está há dois anos na Fundesporte Extra, de Araraquara, e renovou por mais seis meses o contrato com o time que foi campeão paulista no ano passado. "Não renovei por um ano porque ainda tenho chances de atuar na Suécia. Já fui sondada, mas também não vou ficar implorando. Temos de ser valorizadas aqui."Vem aí... - Para Paulo Dutra, supervisor da Seleção, a liga deve sair no mês que vem. "Se o presidente (Ricardo Teixeira" fala que o Brasileirão vai sair do papel, é porque vai". O técnico da Seleção, Luiz Antônio Ferreira, torce para que o calendário saia. "Mas de nada vai adiantar um calendário se o processo não começar nos clubes", diz o técnico que trabalhou na Coréia.A falta de competições oficiais este ano, porém, deve atrapalhar ainda mais o sonho das meninas. O Mundial da China será realizado em 2006. No fim do ano, sem data definida, haverá o Sul-Americano, que é classificatório. O país-sede também não foi definido. A categoria principal terá convocação no dia 8 de abril e se apresenta oficialmente no dia 21.Na semana passada, 25 garotas foram convocadas para a categoria Sub-20 - a Sub-19 foi extinta - que treinará para o Sul-Americano, previsto para o fim do primeiro semestre. Elas ficarão concentradas até o dia 20 na Granja Comary. O país sede do 1º Sul-Americano da categoria também não foi definido pela Conmebol.

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