Luka Gonzalez/AFP
Luka Gonzalez/AFP

Mercado brasileiro de apostas esportivas gira em torno de R$ 8 bilhões, dizem especialistas

Casas de apostas são autorizadas, mas dependem da regulamentação; 11 times da Série A têm patrocínios

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2019 | 13h42

O mercado brasileiro de apostas esportivas deve girar em torno de US$ 2 bilhões ou R$ 8 bilhões no momento em que tiver sua regulamentação definida pelo Governo Federal. A projeção é de especialistas que participaram do Sigma, um dos principais congressos da indústria de iGaming, apostas esportivas e e-sports, realizado em Malta, entre os dias 27 e 29 de novembro.

As casas especializadas foram autorizadas no País em dezembro de 2018 com a Lei 13.756/2018. Ainda está pendente a regulamentação do setor, ou seja, o Ministério da Economia precisa determinar as regras para que as apostas sejam definitivamente liberadas. O prazo para a regulamentação é de dois anos, prorrogáveis por mais dois.

À espera da regulamentação definitiva, empresas estrangeiras de apostas se tornaram patrocinadoras importantes no futebol brasileiro. Hoje, 11 times da Série A do Campeonato Brasileiro já fecharam algum acordo com o setor de apostas. São eles: São Paulo, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Fortaleza, Santos e Vasco.

O advogado Eduardo Carlezzo, um dos palestrantes no evento, afirma que o Brasil tem potencial para ser o “país das apostas esportivas” e avalia que todos os clubes terão algum tipo de patrocínio de casas de apostas com o regulamentação. “Se não for na camisa, será em algum outro ativo”, avalia Carlezzo. “O evento em Malta abre espaço para uma abordagem internacional de vários mercados a respeito da regulação das apostas esportivas. Claramente neste ano o Brasil é o mercado que atrai a maior intenção dos investidores”.

James Scicluna, advogado e sócio do WH Partners, principal escritório de advocacia especializado em apostas esportivas na Europa, afirma que 2020 será um ano importante. “Vemos um enorme interesse de nossos clientes em operar no Brasil. Há esperança de que o país regule o jogo on-line de uma maneira que estimule a concorrência e exija as melhores práticas de medidas de jogo responsável, ajudando a gerar um novo setor econômico para o Brasil. O ano de 2020 será chave, com muitos operadores avaliando de perto a possibilidade de investir no Brasil nesse setor”, avalia.

Para Bruno Maia, especialista em sportstech, fantasy games e mercado de games e ex-vice-presidente de marketing do Vasco, a tendência é que o futebol brasileiro siga o modelo da Premier League, onde metade dos times já é patrocinada por sites de apostas. A Sportsbet.io, por exemplo patrocina o Flamengo, campeão da Libertadores, e o Watford. Na segunda divisão inglesa, 70% das equipes têm parcerias com empresas do segmento. 

"Acredito que seja um caminho sem volta, com cada vez mais empresas deste segmento entrando no Brasil. Os investimentos tendem a continuar crescendo muito e, em breve, já teremos algum clube anunciando como patrocinador máster alguma marca de apostas", afirma o especialista.

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