Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Mercosul pedirá dados sigilosos aos EUA sobre investigação da Fifa

Países do bloco agem em conjunto para apurar irregularidades

FÁBIO FABRINI - ENVIADO ESPECIAL A OURO PRETO (MG), O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2015 | 17h45

Países do Mercosul decidiram fazer um pedido conjunto aos Estados Unidos de informações até agora mantidas em sigilo sobre a investigação de corrupção envolvendo cartolas da FIFA. A iniciativa foi aprovada nesta quinta-feira por procuradores do Ministério Público de Brasil, Argentina, Paraguai, Equador e outros países que integram o bloco como estados-parte ou associados, reunidos a portas fechadas num encontro em Ouro Preto (MG). 

A proposta partiu da Procuradoria-Geral da República do Chile, país-sede da Copa América 2015, em meio a protestos contra o esquema de pagamento de propina a dirigentes da Federação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e suspeitas também contra a associação que representa o esporte no país andino.

 

De acordo com o FBI, cartolas da Fifa negociaram propinas de US$ 110 milhões com a empresa Datisa, em troca de contrato para comercializar publicidade e direitos de transmissão dos jogos. As tratativas envolveriam as edições da Copa América de 2015, 2016 (EUA), 2019 (Brasil) e 2023 (Equador). 

O torneio deste ano foi cedido pelo Brasil ao Chile em 2012, logo no início da gestão, na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de José Maria Marín, um dos cartolas presos na Suíça, acusado de enriquecer com a corrupção no futebol internacional. Conforme procuradores do Mercosul ouvidos ontem pelo Estado, a cessão ao Chile é um dos episódios que precisam ser investigados.  

O pedido de colaboração aos Estados Unidos será enviado pelo procurador-geral da República do Brasil, Rodrigo Janot, à secretária de Justiça dos Estados Unidos, Loretta Lynch, responsável pelas investigações em curso naquele País. Janot preside o grupo de procuradores do Mercosul, que se reune periodicamente, como ontem, para definir estratégias conjuntas de atuação. 

"Tem vários países interessados (no caso FIFA). Fortalece o pedido, se ele for em bloco", justificou Janot ao Estado. Para ele, "a questão é mostrar aos americanos o interesse" que o Mercosul tem de apurar os crimes em cada um de seus países.

O secretário de Cooperação Internacional da PGR, Vladimir Aras, explica que a solicitação será de "informações espontâneas", ou seja, não serão requisitados documentos específicos. Caberá aos Estados Unidos fornecer pistas ou dados sobre crimes cometidos pelos cartolas e demais envolvidos em cada país interessado. Janot receberá o material eventualmente fornecido e o compartilhará com os procuradores dos demais países, conforme a atribuição de cada um. 

EXTRADIÇÃO

O pedido não interfere nos processos de extradição de cartolas, embora possa haver implicações futuras. Os presos foram reivindicados pelos Estados Unidos à Suíça, sob o argumento de que cometeram crimes em solo americano. Contudo, se os países sul-americanos também detectarem delitos, pode haver pedidos de extradição concorrentes. 

No caso de Marín, não há nenhuma perspectiva, segundo fonte a par das investigações, de que o Brasil requeira sua extradição. "Por enquanto, o Itamaraty, no máximo, indicará um representante para visitá-lo na cadeia", afirma. 

 


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