Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Mesmo antes de ficar pronto, Itaquerão vira palco de casamento coletivo

Marcha nupcial, tapete vermelho, damas de honra, pajens e muita festa para 62 novos casais

Almir Leite, estadão.com.br

16 de junho de 2012 | 10h57

A primeira cerimônia marcante no Itaquerão não será a partida de inauguração do estádio e nem a abertura da Copa do Mundo de 2014. Vai ocorrer neste domingo, a partir das 10 horas, com garantia de muita emoção no campo de grama sintética, de cor cinza, instalado na arena em construção: um casamento coletivo, com 62 casais. Haverá marcha nupcial, tapete vermelho, damas de honra, pajens e, depois, os noivos terão direito a festa com bolo, salgadinhos e bebidas.

A cerimônia será dividida em duas partes. A civil ocorrerá na área de convivência do canteiro, o "Recanto do Guerreiro''. A religiosa, no campo de grama sintética, vai ser ecumênica. Um padre e um pastor vão dar a bênção aos casais. Serão colocados dois altares no local, um em cada trave. Primeiro, casam-se os evangélicos; depois, os católicos.

Serão 63, os trabalhadores do Itaquerão a se casar. Isso porque um dos pares é formado por dois funcionários da Odebrecht: a auxiliar administrativa Daniela Almeida - única mulher do grupo dos trabalhadores da construtora- e o ajudante de produção Luiz Fernando Martins Gonçalves.

Eles estão junto faz 12 anos, têm dois filhos - João Vítor, de 6, e Camylle Vitória, de 3 - e um terceiro a caminho, Anna Marya, que nasce em setembro. Por bastante tempo, pensaram em oficializar a união estável, mas as dificuldades, sobretudo as econômicas, não permitiram. Até que surgiu essa oportunidade, e uma situação inusitada, segundo Daniela: Luiz Fernando queria casar, ela não.

"Quando começou essa movimentação na obra (a possibilidade do casamento coletivo), ele queria, eu não'', recorda a auxiliar administrativa de 24 anos, que trabalha no Itaquerão faz oito meses. "Mas ele acabou me convencendo.''

Luiz Fernando disse que não foi bem assim. "A gente conversou bastante e resolveu oficializar a união. A bênção de Deus é importante'', explica ele, que tem 27 anos e está na obra graças à mulher.

Foi Daniela quem sugeriu que o noivo, então desempregado depois de trabalhar em uma empresa de telefonia, que tentasse uma vaga nas obras de construção da arena corintiana. "Aqui é perto da nossa casa, isso é ótimo'', disse a noiva. Eles moram no Itaim Paulista, onde se conheceram - eram vizinhos.

Daniela comprou uma roupa especial para a ocasião - "É um vestido bege, florido, com um casaquinho branco, e também comprei uma sandália bem bonita'' - e conta que quem mais ficou feliz com a notícia do casamento foi o filho João Vitor. "Ele disse 'legal', agora vocês vão ser um casal de verdade''.

O primogênito participará da cerimônia, bem como Camylle e os filhos de todos os outros operários que se irão se casar.

Quem também vai trocar alianças com a patroa neste domingo é Daniel da Silva Barroso. Na prática, ele está casado com Nilva há 13 anos. Têm dois filhos, Gabriel (11 anos) e Laura (de 3). "A gente sempre quis legalizar a situação, mas devido às condições, fomos postergando'', disse o armador de 35 anos, lembrando que as despesas com um casamento são sempre salgadas. "Aí, surgiu essa oportunidade, topei de imediato e quando propus a ela, foi uma felicidade só'', recorda.

Daniel mora há 12 anos em São Paulo, e veio para a cidade justamente por causa de Nilva. "Eu morava em Itanhaém, onde nasci e onde a conheci. Vim para São Paulo por causa dela.''

O armador diz que alugou um smoking por R$ 80 e não tem plano de fazer nenhuma festa em casa depois da cerimônia - ao contrário de Daniela e Luiz Fernando, que planejam uma recepção em casa para familiares e amigos. E não está chateado com o fato de não ter direito à lua de mel, pois na segunda-feira todos os noivos terão de trabalhar normalmente.

"A Odebrecht fez tudo para a gente. Organizou o casamento, a festa, está pagando tudo. Não dá para cobrar uma folga, né'', disse Daniel.

A ideia do casamento coletivo nasceu há seis meses. A empresa constatou que muito dos funcionários da obra mantêm união estável, mas entende ser importante regularizar a situação, quando possível. "Aí fomos amadurecendo a ideia e começamos a fazer essa provocação no canteiro de obras'', recorda o engenheiro Frederico Barbosa, gerente operacional da obra do Itaquerão.

Ele afirma que o interesse foi grande de imediato, mas viabilizar o casamento coletivo foi uma tarefa trabalhosa.  "Tivemos de percorrer cartórios, preparar a documentação, conciliar as religiões, ver as alianças, organizar a cerimônia...''

As alianças, oferecidas pela construtora, foram um capítulo à parte, pois foi necessário tirar medidas de todos os funcionários e suas mulheres, o que levou algum tempo.

Além do padre e do pastor, a cerimônia coletiva de casamento contará com três juízes e três escrivães do cartório de Itaquera.  Deve terminar por volta das 14 horas. Além dos casais, filhos, padrinhos e alguns convidados irão participar, o que significa uma festa para cerca de 250 pessoas.

Barbosa não soube dizer quanto custará a cerimônia. Mas disse que empresas parceiras ajudaram na organização e que, basicamente, o gasto da construtora foi com as despesas de cartório.

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