Mesmo sem avanço estrutural, Flu volta a ser campeão

RIO - Dono de campanha incontestável, o Fluminense conquistou seu quarto título brasileiro sem, no entanto, avançar na estruturação do clube e de seu departamento de futebol. Em março do ano passado, quando deixou o time tricolor, o técnico Muricy Ramalho lamentou problemas recorrentes no Fluminense que não condiziam com a condição de campeão nacional. Foi com Muricy que o clube também ganhou outro Brasileiro, o de 2010.

LEONARDO MAIA E SÍLVIO BARSETTI, Agência Estado

11 de novembro de 2012 | 20h41

Desde então, pouco mudou. Muricy reclamava principalmente da falta de um centro de treinamento, com o qual os jogadores do Fluminense pudessem interagir, com gramados em ótimas condições, academia, sala de fisioterapia, refeitório, vestiários confortáveis e funcionais e hospedagem no mesmo local. Isso permitiria uma organização mais adequada à agenda da comissão técnica.

O centro de treinamento é o grande passo para uma fase mais profissional do clube. O técnico Abel Braga, campeão brasileiro neste domingo pela primeira vez, recebeu em 2011 a promessa de que o espaço estaria pronto neste ano. Mas o prazo já foi revisto e estendido para o final de 2013.

"Não vou ficar comentando sobre o que o Muricy disse. Posso dizer que quando cheguei a situação era ruim. Mas nos preocupamos em trabalhar duro, dentro e fora de campo. Tivemos dificuldades, mas hoje a situação é melhor. Estamos treinando na Urca (Escola de Educação Física do Exército) de vez em quando. O gramado das Laranjeiras há até pouco tempo estava muito ruim, mas deu uma melhorada agora", declarou Abel, disposto a fugir de polêmicas.

O CT também representaria uma redução nos custos de praxe. Estariam abolidos os aluguéis de quartos de hotéis na zona sul do Rio para períodos de repouso normalmente entre os treinos da manhã e da tarde e ainda os deslocamentos entre a sede do clube, hotel e eventualmente outras áreas escolhidas para treinamento.

O presidente Peter Siemsen reconheceu que o Fluminense precisava se reestruturar logo que assumiu o clube, em 2011. Ele deu ênfase em sua campanha ao projeto do CT, mas esbarrou na falta de recursos e em encontrar uma área apropriada para construí-lo. Em agosto, o clube inaugurou um novo vestiário nas Laranjeiras e uma academia com equipamentos modernos. Ainda longe de atender à cobrança de seus principais jogadores.

Os que por ali ainda se destacam e ganham notoriedade com os títulos preferem ser mais cautelosos. Outros, que já saíram, não economizam nas críticas. Campeão brasileiro em 2010, Belletti disse que o gramado do estádio das Laranjeiras, onde ocorrem vários treinos dos profissionais, é um convite a uma lesão muscular ou algo parecido.

O problema persiste até hoje e ninguém no clube esconde o dilema. Tanto que ultimamente o Fluminense tem optado bastante por levar suas atividades de campo para a Escola de Educação Física do Exército, na Urca, também na zona sul do Rio. "A gente machucava nossos jogadores em todo momento. Era um absurdo trabalhar naquele campo", protestou Muricy, logo depois que deixou o Fluminense.

"O campo das Laranjeiras não é o ideal, mas a diretoria está se mobilizando para acertar isso", rebateu Abel Braga, ressaltando que alguns campos novos estão sendo feitos em Xerém, distrito da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde são formados os jovens valores do clube.

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