Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC/ Divulgação
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC/ Divulgação

Mesmo sem notificação, Modesto Roma indica que irá recorrer na Fifa por ação contra Neymar

Presidente santista afirmou ainda não conhecer o teor da decisão da entidade

Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2017 | 15h41

O presidente do Santos, Modesto Roma Jr., afirmou nesta quarta-feira que o clube ainda não foi notificado da decisão da Fifa, que rejeita os quatro processos movidos pelo clube na entidade em relação à transferência de Neymar ao Barcelona. 

"Nós estamos sem saber sobre esse parecer. Soubemos apenas de uma parte de uma suposta decisão da Fifa", declarou Roma Jr. "Não irei fazer comentários enquanto não tiver conhecimento do teor do documento", completou. 

O mandatário foi procurado pelo Estado após a assessoria de imprensa do jogador divulgar que a entidade teria julgado como improcedentes os pedidos do Santos, abertos em maio de 2015, contra Neymar, seu pai, as empresas da família que gerenciam a carreira do jogador e o Barcelona. O objetivo do clube seria receber algum ressarcimento por possíveis ilegalidades na negociação, que selou a saída do jogador à Espanha, oficializada em 2013. 

Apesar de alegar não saber qual a decisão da Fifa no caso, o presidente santista indicou que não dará o caso por encerrado. "Obviamente que qualquer parte irá recorrer. Esse processo foi decidido no que, aqui no Brasil, chamaríamos de primeira instância. Qualquer que seja a decisão, haverá recurso", disse. 

A NN Consultoria divulgou, por meio de nota oficial na noite desta terça-feira, 11, que havia sido notificada sobre a decisão da Fifa. Segundo Marcos Motta, advogado do jogador no Brasil para assuntos internacional, no documento, a entidade recusa todos os pedidos do Santos contra Neymar, seu pai, as empresas da família e o Barcelona. Com isso, a Fifa declara como legais as negociações e a transferência que selaram a ida do jogador à Espanha. 

Fedor Turbin, porta-voz da Fifa, confirmou somente que o Comitê de Status de Jogadores e a Câmara de Resolução de Disputas lidou com dois processos feitos pelo Santos contra Neymar e outra contra o Barcelona. Ele, contudo, informou que "as decisões relevantes ainda não foram notificadas". 

ENTENDA O CASO

O caso foi aberto pelo clube paulista em maio de 2015 com o objetivo de receber ressarcimento sobre supostos danos sofridos na negociação do jogador, em 2013, que teria acontecido sem a anuência da diretoria. A princípio, a equipe espanhola havia dito que toda a transação teria sido de 57,1 milhões de euros (R$ 213,45 milhões). Deste valor, 40 milhões de euros (R$ 149,52 milhões) foram pagos à empresa da família de Neymar, acordados ainda em 2011, e somente 17,1 milhões de euros (R$ 63,92 milhões) foram entregues ao Santos, em 2013. Deste último montante, o clube alvinegro ainda teria que destinar 40% à DIS e outros 5% Teisa, empresas que detinham partes dos direitos econômicos do atleta. 

No entanto, depois foi revelado que Neymar teria custado ao Barcelona 86,2 milhões de euros (R$ 322,23 milhões), somando-se ao valor inicial luvas pela assinatura do contrato, de 10 milhões de euros (R$ 37,38 milhões); comissão de agentes, 2,7 milhões de euros (R$ 10,09 milhões); acordo com a NN para acompanhar jovens jogadores do Santos, 2 milhões de euros (R$ 7,47 milhões); prioridade em três jogadores santistas, 7,9 milhões de euros (R$ 29,53 milhões); doação do clube ao Instituto Projeto Neymar Jr., 2,5 milhões de euros (R$ 9,34 milhões); e direitos de imagem do atleta, de 4 milhões de euros (R$ 14,95 milhões). 

Ainda durante este processo, o Santos foi multado pela Fifa em US$ 75 mil (R$ 243 mil), em março de 2016, devido à interferência de terceiros nas negociações de seus jogadores. Um destes atletas foi Neymar, de quem os direitos econômicos eram divididos com a DIS e com a Teisa. 

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