AFP
AFP

Messi ainda pode se tornar maior artilheiro da história do futebol

Contagem considera apenas números obtidos em jogos oficiais

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2015 | 13h21

A contagem de gols no futebol profissional, por si só, é um assunto que gera muita polêmica e incertezas. Pelé, Romário e Túlio Maravilha, por exemplo, juram de pés juntos que estão acima da marca dos 1000 gols na carreira. Há até quem diga que Arthur Friedenreich, goleador das décadas de 10, 20 e 30, tenha somado mais de 1300 gols como profissional e superado até mesmo o Rei. Sem duvidar da genialidade destes nomes, o número de gols é sempre uma questão de referência.

A revista argentina El Gráfico, por exemplo, listou em 2012 os maiores artilheiros da história do futebol em jogos oficiais e surpreendeu com sua apuração: segundo os critérios da publicação, Romário seria o maior goleador do futebol mundial, tendo marcado 762 gols entre 1985 e 2007, com apenas cinco gols à frente de Pelé, terceiro da lista. Segundo a revista, a lenda da Tchecoslováquia Josef Bican, que atuou entre 1928 e 1956, é o segundo colocado com 761 gols, ou seja, apenas um atrás do Baixinho. O veículo argentino utiliza cômputos oficiais da Fifa.

O aniversariante desta quarta-feira, Lionel Messi, que completa 28 anos, já soma 458 gols em jogos oficiais (412 pelo Barcelona e 46 pela Argentina), segundo dados do portal alemão Transfermarkt. Os gols registrados estão dentro dos critérios estabelecidos pela El Gráfico: contam os gols marcados em qualquer divisão de campeonatos nacionais, copas nacionais e internacionais (incluindo torneios que não são mais disputados), além de ligas e copas oficiais, mesmo que tenham sido realizadas em apenas uma edição.

Em relação à seleção, contam competições oficiais (mundial e continental), amistosos, mundiais juvenis e Jogos Olímpicos. Desta forma, ficam excluídos as partidas festivas, treinos e jogos-treino, combinados e exibições. Pelé, por exemplo, marcou muitos de seus 1281 gols em tais jogos não-oficiais combinados (entre Santos e Vasco, jogos pela equipe do exército brasileiro, jogos de benefício para o Sindicato de Atletas da cidade de São Paulo, entre outros).

Um paralelo entre a idade de Messi (que faz 28 anos nesta quarta), seus números e a distância para os primeiros colocados do ranking abre espaço para suposições e a possibilidade é real: o argentino do Barcelona pode, nos próximos anos, se tornar o maior artilheiro da história do futebol em jogos oficiais. Caso mantenha sua média de jogos e gols, o feito seria alcançado em 2022, aos 34 anos.

Em toda sua carreira, Messi tem média de 0,85 gol por jogo e 53,5 jogos por temporada. Desta forma, ele marca, em média, aproximadamente 45,75 gols por temporada (levando em conta o Barça e a seleção argentina). Mantendo a média, o camisa 10 do Barcelona chegaria aos 35 anos com 778 gols nos mesmos critérios da El Gráfico, superando Romário e todos os outros. Deve-se levar em conta, também, que na época de Pelé, por exemplo, era disputada uma quantidade muito menor de jogos oficiais.

Porém, a ascensão de Messi ao primeiro lugar da lista ainda é mera possibilidade. Obviamente, não é simples manter a média grandiosa de gols com o passar do tempo e da idade. Hoje, aos 28 anos, o argentino vive seu auge, mas, como boa parte dos jogadores, ainda pode sofrer com problemas físicos que podem comprometer sua quantidade de gols e atuações. Além disso, como de costume, Messi tem a concorrência de Cristiano Ronaldo. O português de 30 anos é o maior artilheiro do futebol em atividade, segundo os critérios da El Gráfico, com 496 gols. Ainda faltariam 266 para igualar o Baixinho.

É certo que a quantidade de gols não é o único critério qualitativo de um jogador. Pelé, por exemplo, antes de ser considerado o melhor de todos os tempos, precisou vencer três Copas do Mundo além de todos seus gols anotados, sendo eles em jogos oficiais ou não. A verdade é que, independentemente da contagem que seja feita, os números de Pelé são impressionantes. Muitos 'cobram' de Messi um título mundial com a Argentina para colocá-lo no pedestal dos maiores de todos os tempos. Porém, os títulos e feitos do 'Pulga' impedem o argentino de ser ignorado neste aspecto.

Maior artilheiro da história do Campeonato Espanhol, maior artilheiro da história do Barcelona e, muito provavelmente, futuro maior artilheiro da seleção argentina (faltam 10 gols para superar Batistuta), além de protagonizar uma briga acirrada com Cristiano Ronaldo pelo posto de maior goleador da Liga dos Campeões. Messi ainda chega aos 28 anos com sete títulos espanhóis, quatro europeus e dois mundiais pelo Barcelona. Quatro vezes eleito o melhor do mundo. Apenas o tempo revelará em que nível o camisa 10 chegará ao fim de sua carreira, mas tudo indica que será lembrado como um dos maiores futebolistas da história.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.