Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

MESSI RECEBE HOMENAGENS NO BRASIL E DÁ NOME A CRIANÇAS

Estado de São Paulo tem três meninos batizados com o nome do atacante do Barcelona; Argentina não permite esse registro

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2014 | 17h20

Messi caminha com a bola nos pés, sob o olhar atento do pai. Em vez do Camp Nou, em Barcelona, a cena se dá em São Bernardo do Campo, no corredor estreito do sobrado da família Teixeira. O garoto nasceu em 2010 e recebeu o nome em homenagem ao jogador eleito quatro vezes pela Fifa o melhor do mundo. "Eu sou fã do Messi. Decidi colocar o nome dele no meu filho, que nasceu no mês da Copa do Mundo da África do Sul", disse Ricardo, pai do menino.

O Messi de São Bernardo é uma das três crianças batizadas em homenagem ao argentino no Estado de São Paulo. O levantamento realizado pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-SP) aponta os registros dos últimos 25 anos. De acordo com o órgão, há outros dois casos: em Campinas e São José do Rio Preto – os batismos ocorreram em 2011 e 2013, anos em que Messi foi soberano no futebol mundial.

Ricardo, caminhoneiro nascido na cidade de Arneiroz, no interior do Ceará, e morador de São Bernardo desde 2006, foi o primeiro a escolher o nome do argentino. A decisão deu-se após o aval da esposa. Luciana concordou que, se fosse menino, o marido decidiria qual nome colocar no bebê. "Ele gosta muito de futebol. Na véspera do ultrassom, ele me deu a notícia (de que seria Messi). Eu nunca tinha ouvido falar nesse nome, mas aceitei", contou Luciana.

Em abril de 2005, cinco anos antes do nascimento de Messi, Juan Román Riquelme, um dos maiores jogadores da história do Boca Juniors, já havia recebido uma homenagem de Ricardo, que batizou seu primeiro filho de Rhykelme. A escolha se deu por causa das atuações do meia contra o Palmeiras nas Libertadores de 2000 e 2001. "Ele jogou muito e, ainda, o nome é parecido com o meu. Agora tenho dois camisas dez da seleção argentina na minha casa."


Se depender de Ricardo, a sua lista de "craques" vai aumentar. Apesar de a esposa não querer mais filhos, ele já tem planos para o nome do próximo. "Pode ser Neymar. Mas eu posso prestar uma homenagem ao meu sogro, que se chamava Edmundo." No caso de ser uma menina, Ricardo não descarta batizá-la de Marta, em homenagem à jogadora eleita cinco vezes pela Fifa a melhor do mundo.

Ricardo tem ideia ainda mais ousada: ele quer ver Messi, o brasileiro, brilhando pelos campos do Brasil. Para isso, colocará o menino em uma escolinha de futebol no ano que vem. "Eu quis ser jogador, mas não consegui. Faltou talento. O Messi tem e pode conseguir. Quem sabe ele não joga no São Bernardo daqui a alguns anos?".

De acordo com Ricardo, durante a última Copa do Mundo o garoto, atento à televisão, vibrava com as jogadas do craque inspirador do pai. Para Messi, no entanto, o atacante Hulk é o melhor jogador do mundo, à frente até de Neymar. A opinião, entretanto, sustenta-se por pouco tempo. Instantes depois, o Messi argentino recebe um elogio e se torna, enfim, o preferido do Messi brasileiro.

FAMÍLIA

Quem mora na pequena cidade de Boa Esperança do Sul, no interior paulista, já está mais do que habituado ao nome Messi. Eventualmente, é preciso lembrá-lo em situações de rotina. Isso porque a Rua dos Messi, de 900 metros de extensão, faz parte de um dos bairros do município, localizado próximo de Araraquara. Trata-se de uma homenagem a uma tradicional família da cidade, que chegou ao Brasil no começo do século passado. Liliane Messi, que faz parte da última geração da família, afirma que muitos perguntam sobre a possibilidade de parentesco com o craque argentino. "Meu avó chegou da Itália e veio para São Paulo, mas alguns parentes dele foram para o interior do Rio Grande do Sul. É possível que tenha alguma ligação."

José Messi, seu pai, fundou na década de 1960 um time de futebol e também fez o campo da cidade. Por mais de 40 anos, o Messi Esporte Clube disputou partidas na região. Em 1974, no auge, o time chegou a ser campeão municipal. A equipe deixou de existir em 2004 – por coincidência, o ano em que Messi chegou ao Barcelona.

CASO ARGENTINO

Na Argentina, a situação é bastante diferente. Apenas um pai até hoje conseguiu prestar homenagem ao craque de futebol. A exceção ocorreu na província de Rio Negro, ao sul do país. Héctor Varela registrou o filho como Messi Daniel Varela depois de conseguir uma autorização especial do Registro Civil da região.

Os cartórios da cidade natal de Messi, Rosario, entretanto, não aceitaram pedido algum. Por causa da boa campanha da seleção argentina na Copa do Mundo, o chefe do Registro Civil da Província de Santa Fe, Gonzalo Carrillo, viu-se obrigado a negar diversas solicitações de batismo. De acordo com ele, usar um sobrenome como nome é proibido por lei na Argentina, pois existe a chance de haver uma confusão entre os nomes.

Dessa forma, os argentinos tiveram de se contentar em escolher os primeiros nomes dos jogadores vice-campeões mundiais. Estima-se que dois em cada dez bebês foram registrados com nomes dos craques nos meses de junho e julho, durante o Mundial do Brasil. Lionel (ou Leonel), Angel, Gonzalo, Sergio e Javier foram os nomes mais escolhidos pelos pais, homenageando Messi, Di María, Higuaín, Agüero e Mascherano, respectivamente.

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Estado de São Paulo tem 378 crianças chamadas Neymar

Depois do nascimento do craque, em 1992, não houve outro registro nos próximos 17 anos; primeira homenagem a ele deu-se em 2009

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2014 | 17h38

Neymar disputou a sua primeira partida como profissional em março de 2009. Desde então, o craque brasileiro deu nome a 378 bebês no Estado de São Paulo. Curiosamente, depois do nascimento do jogador do Barcelona, em 1992, não houve outro registro nos próximos 17 anos. 

Após Neymar despontar no Santos, 24 crianças foram batizadas com o nome do camisa 10 da seleção brasileira nos últimos meses de 2009. O número subiu a 67 no ano seguinte e chegou ao ápice (133 registros) em 2011, quando o jogador conquistou a Libertadores e disputou o Mundial de Clubes.

Depois disso, porém, o craque não influencia tantos pais. Em 2012, exatas 100 crianças receberam o nome de Neymar, contra 35 em 2013 e apenas 19 até setembro deste ano. Segundo a Arpen, muitos casos ocorrem em famílias de bolivianos, pois Neymar é um nome comum no país.

Enquanto cada vez menos bêbes são chamados de Neymar, David Lucca, nome do filho do craque, passou a ser popular desde o nascimento da criança, em agosto de 2011. Em três anos, 2.354 pais batizaram seus filhos com o nome - antes, havia apenas cinco registros entre 1990 e julho de 2011.

Davi, inclusive, é o segundo nome mais usado no País durante o ano passado - Davi Lucca ficou na 60.ª posição. David Luiz, um dos jogadores mais populares da seleção brasileira, também recebeu várias homenagens. Em quatro ano, 230 crianças foram batizaram com o nome do zagueiro do Paris Saint-Germain. Em 2013 e 2014, a incidência foi ainda maior: 187, sendo 81 a partir de junho, mês da abertura da Copa do Mundo.

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