Rodolfo Buhrer/Reuters
Rodolfo Buhrer/Reuters

Messi tenta acabar com sina de vice pela seleção argentina

Em quatro disputas da Copa América, craque terminou por três vezes em segundo lugar; Argentina estreia hoje contra a Colômbia em Salvador

João Prata, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2019 | 04h30

A Argentina estreia na Copa América hoje, às 19h, contra a Colômbia, pela primeira rodada do Grupo B. A partida está marcada para a Arena Fonte Nova, que teve os 50 mil ingressos vendidos antecipadamente. Os olhos dos torcedores, dos jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas estarão todos voltados para Messi.

O jogador, eleito por cinco vezes melhor do mundo pela Fifa, vem ao Brasil de novo com o objetivo de acabar com a sina de vice e erguer pela primeira vez na carreira um troféu com o time principal do seu país - em 2008, ele foi ouro com a equipe olímpica nos Jogos de Pequim.

 Em quatro edições de Copa América disputadas por Messi, em três delas ele terminou na segunda colocação (2007, 2015 e 2016). Na outra participação, em 2011, a Argentina ficou em sétimo lugar. Caiu nas quartas diante do Uruguai, nos pênaltis. A conquista mais recente do torneio ocorreu em 1993, mas sem Messi - ele tinha seis anos.

Na última competição do craque argentino no Brasil, ele também terminou como vice. Na Copa do Mundo de 2014, a equipe perdeu a decisão para a Alemanha, no Rio. As derrotas sempre pesam nas costas do craque, que já tentou por algumas vezes deixar de defender a seleção e seguir apenas no Barcelona, onde já levantou mais de 30 taças, entre elas quatro da Liga dos Campeões e três Mundiais.

Mas Messi não consegue abandonar a seleção. O mais recente caso aconteceu após o fiasco argentino na Rússia, em julho do ano passado. Depois da queda nas oitavas, Messi disse que não defenderia mais a seleção. Em janeiro deste ano, ele mudou de ideia após conversar com o treinador Lionel Scaloni. 

Messi tem 31 anos e não descansará enquanto não levar os argentinos a um título. Nas duas últimas edições da Copa América, em 2015 e 2016, a seleção argentina bateu na trave. Foram dois vices contra o Chile e de maneiras semelhantes: 0 a 0 no tempo regulamentar e derrota nos pênaltis. A competição continental mais recente, no entanto, serviu para Messi alcançar uma marca histórica. Ele chegou a 57 gols, superou Batistuta e tornou-se o maior artilheiro da equipe argentina.

NO BRASIL

Messi chegou ao Brasil no último domingo. Ele desembarcou em Salvador, onde ficará até amanhã. Sua presença, como sempre, tem sido discreta. Ele participou dos treinos fechados aos jornalistas. Ontem, quando Scaloni abriu as atividades, o ídolo argentino não estava mais no campo. Sua presença na partida, no entanto, está confirmada. O treinador poupou os principais jogadores por causa do forte calor da capital baiana.

Scaloni minimizou a importância do craque para a seleção do país e, na coletiva de ontem, tentou exaltar a força do grupo. "Se cada um fizer o que faz no seu clube, teremos uma boa equipe. Pedimos a todos muita mobilidade e trabalho com a bola, jogar o mais rapidamente possível para causar dano ao adversário. Podemos variar a nossa formação tática. São atletas versáteis e isso é importante."

Depois do jogo contra a Colômbia, a delegação argentina partirá para Belo Horizonte, onde ficou durante sua participação na Copa do Mundo de 2014.  A partida contra o Paraguai será no Mineirão, na quarta-feira. No dia seguinte, a equipe se despede da capital mineira e ruma em direção a Porto Alegre, onde fará seu último duelo na primeira fase da Copa América. O confronto com o Catar está marcado para domingo, dia 23, na Arena do Grêmio.

SELEÇÃO REFORMULADA

Após a eliminação na Copa da Rússia em 2018, a seleção argentina passou por um processo de reformulação. A queda nas oitavas de final para a França com um fraco futebol apresentado culminou na saída do técnico Jorge Sampaoli e na aposta de um novo nome para o comando da equipe: Lionel Scaloni.

Para começar os trabalhos, o novo treinador, efetivado da equipe sub-20 do país, entrou em contato com Messi e o convenceu de seguir na seleção argentina. Na convocação para a Copa América, ele reformulou o elenco com uma base de jogadores que atua no país e deixou fora veteranos como Mascherano e Gonzalo Higuaín.

"Quando me chamaram para assumir a seleção interinamente, a decisão de aceitar foi fácil. Depois, quando me chamaram e disseram que queriam que eu assumisse a equipe, foi mais difícil, porque seria um trabalho mais longo", disse Scaloni, que foi jogador e atuou pela seleção argentina na Copa do Mundo de 2006 como lateral-direito.

Apenas nove atletas que estiveram na Rússia continuam na equipe, entre eles Lionel Messi, Dí Maria, Aguero, Otamendi e Dybala. Eles serão os responsáveis por dar tranquilidade aos novatos, como Armani, Casco, Matias Suárez e Saravia. 

Na entrevista coletiva de ontem, realizada na Arena Fonte Nova, em Salvador, palco do jogo de hoje contra a Colômbia, Scaloni minimizou o peso de a Argentina não conquistar títulos e disse que o principal é o torcedor voltar a ter identificação e confiança na seleção. 

"A convivência foi espetacular. Queremos que os garotos que foram convocados aproveitem o momento. Se caírmos, se não ganharmos... É inútil pensar assim. Essa seleção chegou na final das duas últimas edições da Copa América. Isso não é pouco, quase ganhamos. Estamos aqui para mostrar que esses atletas podem usar essa camisa, mas o resultado depende de muita coisa. O importante é honrar a camisa e que a torcida se identifique com o time."

Ontem, a Argentina sofreu uma baixa. A Associação de Futebol anunciou o corte do goleiro Esteban Andrada, do Boca Juniors. Ele é reserva. Foi cortado por causa de uma lesão no joelho direito sofrida no dia anterior. O substituto será Juan Musso, que atua na Udinese, da Itália. O titular da seleção nesta Copa América é Franco Armani, do River Plate.

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