Wilton Junior|Estadão
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Messi volta ao Rio após 7 anos e com menos tempo para quebrar a escrita de não vencer com a seleção

Seis vezes o melhor do mundo com o Barcelona, camisa 10 da Argentina simboliza o peso de um país que não ganha nada no futebol desde 1993

Robson Morelli , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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Messi não tem mais tempo. Ele sabe que quando veste a camisa da seleção argentina, um país inteiro vai para os seus ombros. Não pesa. Não pesa para Messi. Porque toda vez que Messi entra em campo, ele faz o seu melhor, desde 2004, quando vestiu a camisa do time nacional pela primeira vez, que um dia já pertenceu a Maradona. Com a Argentina nas costas, Messi volta ao Maracanã depois de sete anos da decisão da Copa do Mundo de 2014.

Naquele dia de julho no Rio, a Argentina sucumbia mais uma vez numa decisão, diante da Alemanha por 1 a 0. Após a partida, Messi não queria mais estar ali. Sua fisionomia era de um coitado. Mas esteve à frente do time desde o começo e nunca foi de sua índole deixar de cumprir os protocolos e os ritos de quem carrega a tarja de capitão no braço. Recebeu trófeu de melhor da competição, Bola de Ouro, apertou as mão de representantes do Mundial que nem estão mais aí, como Joseph Blatter e José Maria Marin, além da presidenta Dilma Rousseff. Todos caíram. Menos Messi.

Seu semblante no Maracanã era o mesmo de tantas outras vezes nas decisões que jogou com a Argentina, cara fechada e frustração com a derrota. Quem já reviu aquele jogo contra a Alemanha no Rio (não se sabe se o próprio Messi já fez isso) tem quase certeza de que a Argentina nunca esteve tão próxima de ganhar mais uma Copa do Mundo e coroar Messi, para muitos fora do seu país melhor até do que Maradona.

Com a camisa azul escura, sem barba, sete anos mais jovem e com cabelo curto arrumadinho, Messi nunca teve um Maracanã tão a seus pés como naquele dia. Os brasileiros também estavam com ele, mesmo com a gigantesca rivalidade, porque nenhum brasileiro em sã consciência poderia estar com o time alemão. De jeito nenhum. Não depois dos 7 a 1. Era Messi na cabeça e no coração. Brasileiros e argentinos se misturando a caminho do lendário estádio. Argentina campeão! Quem tiver a chance de rever o jogo, verá como Messi jogou, tentou, se esforçou... suou a camisa omo sempre faz. Mas não deu de novo. Bateu na trave.

Neste sábado, Messi não terá os brasileiros ao seu lado. Nem os 6.500 que foram liberados para estar no Maracanã, numa manobra da Conmebol com o aval do prefeito do Rio Eduardo Paes. A decisão da Copa América é contra o Brasil, do amigo e rival Neymar. Messi terá a Argentina e seus companheiros ao seu lado.

Ele sabe o que está em jogo. Fez quatro gols em seis partidas nesta competição, tomando para si a artilharia da disputa. Deu cinco assistências para gols argentinos. Está mais leve, mais sorridente, afinado com o grupo e com a comissão técnica. Deixou seu contrato com o Barcelona vencer sem dar uma palavra sobre o assunto, de tão concentrado que está. Fosse a Copa na Argentina como deveria ser, era favorito. Com 76 gols na seleção, pode se juntar ou ultrapassar Pelé como o jogador sul-americano que mais gols fez pelo seu país. Pelé tem 77. A esta altura de sua carreira, pouco importa a briga pela marca. Messi quer levantar a taça, uma única taça que seja, pela seleção principal. Já fez isso pela Olímpica, em Pequim, mas com outro peso do futebol nos Jogos Olímpicos.

É sua sexta Copa América. Em três ocasiões, ele foi vice-campeão: em 2007, perdendo para o Brasil; em 2015 e 2016, caindo diante do Chile. Em outras duas vezes, a Argentina perdeu antes da decisão: em 2011, frente ao Uruguai, nas quartas de final, e em 2019, novamente para o Brasil, na semifinal. Desde 1993, a seleção argentina amarga a ecrita de não ganhar nada. Esse período de tempo, curto para a História, pega toda a era Lionel Messi na equipe.

Os argentinos torcem triplamente nesta decisão de sábado no Maracanã. Para ganhar, claro, e repudiar os brasileiros, que vão fazer exatamente a mesma coisa com a taça nas mãos, para quebrar a escrita desde 1993 e para que Messi não abandone novamente a seleção, como já fez por desgosto e por achar que ele era o problema. Nunca foi. 

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