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'Meu pai sempre me diz para manter os pés no chão', diz técnico

Eduardo Baptista, filho de Nelsinho Baptista, faz boa campanha à frente do Sport nesta edição do Campeonato Brasileiro

Entrevista com

Eduardo Baptista

Almir Leite, Gonçalo Junior e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 17h00

Eduardo Baptista é o novo candidato a revelação entre os técnicos brasileiros. O objetivo inicial de manter o Sport na elite depois de disputar a Série B no ano passado acabou se transformando em uma briga pelo G-4 – hoje, a equipe pernambucana tem três pontos de desvantagem para o Corinthians, o quarto na tabela. O sobrenome conhecido é uma das senhas para o sucesso. O Baptista vem do pai, Nelsinho, treinador tarimbado e que acumula passagens pelo Corinthians, Palmeiras, um título da Copa do Brasil pelo próprio Sport, em 2008, e que está no Japão atualmente.

Do patriarca, Eduardo afirma que herdou o perfeccionismo. As outras senhas para o êxito são a formação acadêmica, o hábito de estudar sempre e a preocupação em fazer um jogo simples, montar um esquema tático só e ir adotando variações com o tempo, como mostra nesta entrevista ao Estado.

Quais os traços que você herdou do seu pai e qual é o seu estilo de comandar uma equipe?

Trabalhei dez anos com ele. É uma herança forte. Aprendi a ser perfeccionista. Também foi importante participar dos momentos bons e ruins. A diferença é que eu comecei minha carreira numa pedreira. Foram 12 clássicos em dois meses.

Como assim?

Trabalhei 18 anos como preparador físico, mas já estava me preparando para ser treinador. O Sport teve um início de ano ruim e me colocaram interinamente para fazer dois jogos de uma competição que estávamos virtualmente eliminados, a Copa do Nordeste. Acabamos campeões! Foi tudo muito rápido.

Sua formação como preparador físico ajudou?

Bastante. Além da graduação e do mestrado em Fisiologia do Exercício, que ofereceram uma boa base teórica, o trabalho do preparador é bem próximo dos atletas. Essa experiência me ajuda bastante no trabalho como treinador.

Como se mantém atualizado?

No Brasil, faltam livros específicos para o treinador se aperfeiçoar. Na Alemanha, por exemplo, a lista é enorme. Mas o alemão é um idioma muito difícil. Uma saída que encontrei foi assistir aos jogos do mundo inteiro e fazer comparações. Minhas duas tevês da sala estão sempre sintonizadas em algum torneio.

Você mencionou a Alemanha como exemplo. Um estrangeiro teria sucesso no Brasil?

Eles também teriam dificuldades. A cobrança da mídia, da torcida e dos dirigentes é intensa por resultados imediatos. O Guardiola não teria um projeto de oito anos, como fizeram os alemães. Falta visão de longo prazo no Brasil.

Como corrigir isso?

O primeiro passo teria de ser dado pelos dirigentes, que precisam planejar o que querem dos treinadores. Muitos não definem se vão valorizar a base ou apostar em contratações.

Qual foi a saída do Sport?

Conseguimos conciliar a escalação de jogadores jovens, como Felipe Azevedo e Rithely, com a experiência do Magrão e do Durval, por exemplo. Temos uma defesa sólida e até os jogadores da frente, como Neto Baiano, estão se dedicando à marcação.

Teme ser demitido por ser um treinador ainda em início de carreira?

Os dirigentes do Sport me deram carta branca e fizeram um bom planejamento. Eles sabem aonde querem chegar. Está dando certo. Mas meu pai sempre diz para eu conservar os pés no chão.

Aonde o Sport Recife pode chegar?

Nosso projeto é de manutenção da Série A. É o primeiro passo. Mas já mostramos que podemos surpreender.

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