Lars Moeller/EFE
Lars Moeller/EFE

México tem coaching motivacional por avanço às quartas pela 1ª vez como visitante

Velho tabu é encarado como uma "maldição" na história do futebol mexicano na competição

Estadão Conteúdo

10 Junho 2018 | 16h50

O México vai à Copa do Mundo da Rússia com o objetivo de atingir uma marca inédita: alcançar pela primeira vez as quartas de final de um Mundial fora de casa. O velho tabu é encarado como uma "maldição" na história do futebol mexicano na competição, pois foram vários os fracassos amargados nas oitavas de final - o time nacional caiu nesta fase nas últimas seis edições do torneio.

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No papel, o atual elenco mexicano, comandado pelo técnico Juan Carlos Osorio, tem os recursos necessários para jogar mais de quatro jogos na Rússia. Mais da metade dos jogadores está ou esteve nas principais ligas europeias, principalmente da Espanha e da Inglaterra. Atletas como Héctor Herrera, Giovani Dos Santos e Carlos Salcido foram campeões olímpicos em Londres-2012. Héctor Moreno, Carlos Vela e Dos Santos faturaram o título do Mundial Sub-17 em 2005.

E para quebrar a maldição na Rússia, o México decidiu tentar a ajuda de um coaching esportivo motivacional. Os mexicanos, que não chegaram ao quinto jogo dos últimos seis Mundiais que disputaram, levarão o espanhol Imanol Ibarrondo, que já trabalhou na comissão técnica do time nacional em outras ocasiões.

Ibarrondo, que em seu perfil no Twitter descreve seu trabalho como "acompanhando líderes, equipes e organizações em seus processos de (trans)formação", é um ex-jogador de futebol que atuou nos clubes espanhóis Sestao, Zaragoza e Rayo Vallecano, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.

"Há aprendizados muito valiosos, simples, úteis e fáceis de aplicar na vida das pessoas e eu quero ajudar com minhas conversas para criar novas realidades... Novos futuros que são possíveis e desejados", disse Ibarrondo em uma entrevista para a rede de TV espanhola La Sexta.

Antes de atuar na seleção mexicana, Ibarrondo também atuou com a equipe de futebol da Espanha que participou dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, mas a proposta de se juntar a um grupo de trabalho que tem a missão de dar esse grande passo o seduziu para vir ao México.

"É um papel que não existia e até agora estamos introduzindo, tanto para a equipe (de treinadores) para melhorar sua liderança, como com a equipe para gerar alto desempenho", acrescentou Ibarrondo ao programa La Sexta Noche.

 

O coaching mental chegou à equipe nacional mexicana em novembro de 2016, por iniciativa de Juan Carlos Osorio, para tentar ajudar os jogadores a tirar o peso da pior derrota de sua história: os 7 a 0 para o Chile nas quartas de final da Copa América Centenário, em junho daquele ano.

Coincidência ou não, desde a chegada do espanhol, o México passou a ter melhor desempenho nas Eliminatórias da Concacaf e terminou em primeiro lugar, algo que não ocorria desde o torneio classificatório para o Mundial da França, em 1998. Os mexicanos também conseguiram superar os Estados Unidos como visitantes em novembro de 2016, o que não acontecia em partidas fora de casa desde 1972 contra o velho rival.

Depois de uma participação na Copa das Confederações no ano passado, em que o México perdeu por um deslize contra a Alemanha nas semifinais, muitos perguntam se o trabalho do motivador espanhol pode fazer a diferença para que a seleção chegue às quartas de final na Rússia. O México só alcançou esta fase quando foi anfitrião, em 1970 e 1986.

"Algo que não se fala muito é que a Alemanha tem cinco psicólogos esportivos porque é muito trabalho para apenas um", disse a psicóloga esportiva Claudia Rivas, que já trabalhou com várias equipes na primeira divisão local. "Esse trabalho (na Alemanha) tem 10 anos e está lá. Tem de se copiar as coisas boas."

Mas mudar a sorte parece complicado desta vez. O México tem pela frente um grupo difícil na primeira fase. Estreia contra a atual campeã mundial Alemanha e enfrentará a Coreia do Sul e a Suécia, na sequência. A expectativa é de que se classifique em segundo lugar da chave. E o possível rival nas oitavas de final é o Brasil.

A sensação de pessimismo que envolve a equipe é justificada. O resultado do primeiro jogo, diante dos alemães - carrascos habituais dos mexicanos -, poderá marcar o curso da equipe nas partidas seguintes. Os alemães derrotaram o México na Copa de 1978, na Argentina, quando venceram por 6 a 0 na fase de grupos; no Mundial de 1986, quando ganharam dos anfitriões da competição nos pênaltis nas quartas de final; e por 2 a 1 nas oitavas de final da Copa da França, em 1998.

"Temos de enfrentar a Alemanha nesta Copa do Mundo em uma partida que será o padrão para o que virá pela frente. Porque se tivermos azar e eles fizeram mais de três gols, nós podemos voltar para casa em breve", disse Hugo Sánchez, considerado um dos melhores jogadores de futebol mexicano da história.

 

Mas a geração atual pensa grande e recebeu muito bem o coaching Ibarrondo. "O trabalho de Imanol é muito bom, ele contribuiu muito para nós", disse o goleiro reserva Alfredo Talavera. "Este tipo de ajuda é sempre bem-vinda. Cada vez que você aprende algo novo, essa porta se abre para sermos mais fortes em todos os sentidos."

"Você nunca precisa parar de sonhar", acrescentou o goleiro titular da atual seleção mexicana, Guillermo Ochoa, que teve grande atuação contra o Brasil no empate por 0 a 0 em confronto válido pela primeira fase do Mundial de 2014, em Fortaleza.

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