Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Michel Platini abandona oficialmente a corrida pela presidência da Fifa

Com a saída do francês, Europa terá apenas um representante 

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2016 | 17h28

Michel Platini se retira oficialmente da corrida pela presidência da Fifa. Numa entrevista que será publicada nesta sexta-feira no jornal francês L'Equipe, o ex-astro do futebol indica que está abandonando o processo eleitoral.

Com sua saída oficial, a Europa terá a candidatura de Gianni Infantino para o cargo. O dirigente era o braço direito de Platini na Uefa e considerava que tinha o apoio da América do Sul. Mas, com a prisão de Juan Napout, ex-presidente da Conmebol, e a queda de diversos dirigentes sul-americanos, o voto do continente não está ainda definido. 

No final de 2015, Platini havia sido suspenso do futebol por oito anos pelo Comitê de Ética da Fifa. Mas prometia contestar a decisão e levar o caso ao Tribunal Arbitral dos Esportes (TAS). Sua suspensão ocorreu no mesmo dia que Joseph Blatter também foi afastado. Platini é suspeito de ter recebido US$ 2 milhões de Blatter de forma indevida. Ele argumenta que era um salário atrasado por um serviço prestado nove anos antes. 

Mas os juízes e o Ministério Público da Suíça suspeitam que o dinheiro, dado em 2011, seja um pagamento para que ele não se apresentasse como candidato nas eleições da Fifa daquele ano. 

"Não vou me apresentar à presidência da Fifa. Retiro minha candidatura. Não posso mais. Não tenho nem mais o tempo e nem os meios de ir ver os eleitores, encontrar com as pessoas, de lutar contra os demais", disse. "Ao me retirar, faço a escolha de me concentrar na minha defesa com relação a um dossiê onde não se fala mais de corrupção, de falsificação ou de nada mais". 

Para Platini, tudo teria sido montado para evitar sua vitória. "Como ganhar uma eleição quando se impede que eu possa ganhá-la", disse. Em sua avaliação, não é apenas um problema de calendário para reverter a decisão da Fifa. "Como ganhar uma eleição se sou impedido de fazer campanha? Ainda que, quando Blatter se retirou da Fifa, eu recebi 150 apoios declarados", insistiu. "Uma centena de cartas oficiais de federações e umas 50 promessas. Tudo isso em apenas dois dias. Hoje, devo me ocupar de todos os recursos, seguir os processos", lamentou. 

Segundo ele, depois do TAS, seu caso ainda teria de ir ao comitê eleitoral da Fifa presidido por Domenico Scala. "Ele disse que eu falsifiquei as contas. Isso não parece nada bom. "Eu lutei como fiz durante toda minha vida. Mas não me deram a oportunidade de concorrer a isso", concluiu. 

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