Miguel Medina / AFP
Miguel Medina / AFP

Milan confirma venda para fundo de investimentos dos Estados Unidos por R$ 6 bilhões

RedBird Capital Partners promete elevar o patamar do clube após o título do Campeonato Italiano e o fim do jejum de 11 anos sem conquistas

Redação, Estadão Conteúdo

01 de junho de 2022 | 10h38

O Milan confirmou nesta quarta-feira que foi vendido para o fundo de investimentos americano RedBird Capital Partners pelo valor de 1,2 bilhão de euros, cerca de R$ 6,1 bilhões. A finalização da venda deve acontecer até setembro deste ano, de acordo com as partes envolvidas na negociação.

"Estamos honrados por fazer parte da ilustre história do AC Milan e estamos empolgados com a perspectiva de poder escrever o próximo capítulo nesta trajetória do clube de retorno à merecida posição no topo do Campeonato Italiano e do futebol europeu e mundial", afirmou Gerry Cardinale, fundador e um dos sócios da RedBird.

O fundo adquiriu o clube junto ao grupo Elliott Advisors UK Limited, que vinha administrando o time de Milão desde 2018, após uma forte crise financeira vivida pelo clube. Este grupo terá uma participação minoritária no time e manterá alguns assentos no Conselho de Diretores.

O trabalho do grupo Elliott já vinha trazendo resultados no clube italiano, que voltou a se sagrar campeão nacional na última temporada europeia, após 11 anos. A primeira colocação no Italiano vai manter o Milan na fase de grupos da próxima edição da Liga dos Campeões, algo raro na última década.

"Quando o grupo Elliott adquiriu o Milan em 2018, recebemos um clube com uma tremenda história, mas com sérios problemas financeiros e com uma performance esportiva medíocre. Nosso plano era simples: criar estabilidade financeira e devolver o Milan ao lugar que pertence no futebol europeu. Hoje acho que alcançamos os dois objetivos", disse Gordon Singer, um dos sócios do Elliott.

Nova dona do Milan, a RedBird Capital Partners tem sob sua gestão cerca de US$ 4,5 bilhões (R$ 21,3 bilhões) e tem outras ligações com o esporte. O grupo é um dos investidores do Fenway Sports Group, que administra o Liverpool, e tem participação no francês Toulouse, no Boston Red Socks (time de beisebol), no Pittsburg Penguins (hóquei no gelo).

"É mais um negócio que consolida a recente e rápida supremacia americana na aquisição de clubes de futebol mundo afora. Ainda que o Milan já estivesse na propriedade de grupo americano, a Elliott, a bem da verdade haviam adquirido as ações da equipe de forma indireta pois as receberam como garantia a um empréstimo dado a um investidor chinês que havia comprado o clube em 2017. Como não pagou o empréstimo à Elliott, a garantia foi executada e o clube trocou de mãos, da China para o Estados Unidos", explicou Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito desportivo.

"O apetite do investidor americano pelo futebol europeu é forte, o que fica muito visível na Inglaterra e Itália, mas também em outras ligas secundárias, com operações que não geram tanta visibilidade. É interessante olhar no retrovisor e perceber as ondas de investidores que fluíram para a Europa no tempo. Inicialmente os russos eram os grandes compradores. Depois vieram árabes e chineses, nesta ordem. Agora chegou a vez dos Estados Unidos, e pelo que se verifica até agora com muito mais força do que as ondas anteriores", acrescentou.

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