Mailson Santana/Fluminense
Mailson Santana/Fluminense

Ministério da Saúde aprova estudo da CBF para retorno de até 30% de público nos estádios

Plano é efetivar a volta gradual da torcida durante o mês de outubro de acordo com a aprovação específica de autoridades locais

Ciro Campos, Raul Vitor, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 13h53

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ganhou a aprovação do Ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro para que as equipes da Série A do Campeonato Brasileiro voltem a receber torcedores nos seus respectivos estádios. As propostas de plano sanitário e de protocolo enviadas ao órgão federal receberam a chancela do órgão liderado pelo ministro Eduardo Pazuelo, cuja pasta já teve outros dois médicos não militares no cargo. O objetivo é liberar a presença de até 30% da capacidade de público em outubro, mas ainda sem data definida. Para prosseguir com o plano, porém, será necessário receber a permissão das autoridades sanitárias de Estados e prefeituras. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão

Nas últimas semanas a CBF havia elaborado um rascunho da proposta com informações preliminares. O conteúdo trazia principalmente a limitação para somente a torcida mandante frequentar os estádios e não contemplar as Séries B, C e D do Campeonato Nacional. A intenção da entidade é aprofundar a discussão com os clubes para se ter um protocolo mais rígido de conduta e de cuidados com o distanciamento social. O clube é importante porque é ele que vai administrar essa arena e a chegada e saída dos torcedores. 

Alguns times incentivam o retorno da torcida principalmente para amenizar problemas financeiros de falta de bilheteria. Clubes como Flamengo, Corinthians e Palmeira faziam, em média, R$ 2,5 milhões de renda por apresentação. Como os jogos têm sido realizados com portões fechados desde o início da competição, por causa da pandemia, as equipes têm acumulado prejuízos com os custos operacionais das partidas. Na verdade, elas pagam pelo serviço do estádio sem ter ganho nenhum.

A CBF avalia uma forma de conseguir a abertura dos portões em todos os Estados brasileiros para que não haja desequilíbrio nas disputas. A pandemia deixou claro a necessidade e importância do torcedor no futebol. O que a CBF não quer é que determinado time tenha torcedores em seus jogos e outros não. A regra, na cabeça dos dirigentes, deve valer para todos os times, sem prejuízo para nenhum deles.

Os últimos jogos com a presença de público no Brasil ocorreram em março, ainda antes da paralisação pela pandemia do novo coronavírus, Os campeonatos nacionais recomeçaram em agosto, sem público. Como o Estadão revelou no último mês, a postura no Brasil era de cautela quanto à definição de prazo para liberar a torcida, porém, nos bastidores sempre houve uma pressão de alguns clubes para colocar o assunto em discussão.

Nada está resolvido ainda, no entanto. O fato de a CBF ter seu protocolo aprovado pelo Ministério da Saúde apenas indica que as determinações colocadas na cartilha estão de acordo com o entendimento de Pazuello e sua equipe. A CBF tem adotado o expediente de delegar para as federações estaduais as decisões do futebol. Foi assim para a retomado dos treinos e das partidas regionais. Como casa Estado tem números diferentes da pandemia, talvez ela esteja certa em passar a bola para suas associadas regionais.

A discussão, de acordo com especialistas, diz respeito ao momento dessa volta da torcida. Em julho, quando a covid-19 assustava mais do que ela assusta atualmente parcela da população, profissionais da área médica não admitiam sequer a possibilidade da abertura ao público de eventos esportivos. "Torcedor no estádio é um problema. Por mais que se reduza, por exemplo em 50% a capacidade das arenas, teremos de estudar uma logística de entrada e saída para evitar aglomeração. É natural existir um afunilamento nos portões e isso é extremamente perigoso", alertou o infectologista Jean Gorinchteyn, que trabalha no hospital Emílio Ribas e Albert Einstein. Naquele mês, o Brasil registrava mortes diárias de mais de 1.200 pessoas.

No Brasil, antes mesmo de a doença ser controlada (São Paulo registra atualmente aumento no número de contaminados), as entidades competentes do Estado e da prefeitura concordaram em abrir bares e parques e liberar o uso das praias, por exemplo. Existe a expectativa de liberar em abril as escolas. No Rio, o governador Wilson Witsel se comprometeu a abrir os portões para o torcedora apenas no Maracanã, que é maior e mais espaçoso do que os outros estádios do Estado, como São Januário. O projeto faz parte de um plano de flexibilização maior do Rio. 

A primeira partida a ter público seria Flamengo e Atlético-GO, dia 4. O prefeito Marcelo Crivella entende que colocar o carioca no Maracanã ajudaria a tirá-lo das praias. "Faremos um apelo para a CBF, no sentido que o Maracanã seja uma alternativa à praia. Hoje, o maior problema do Rio são as grandes aglomerações nas praias das pessoas sem máscara. Se o jogo puder ser às 11h, seria ótimo. Estamos falando de 20 mil torcedores no Maracanã, 1/3 de sua lotação. Seria talvez menos 20 mil pessoas nas praias do Rio", comentou Crivella.

 

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