Ministério do Trabalho aciona Atlético-PR por maus-tratos aos garotos da base

Clube e parceiro sofrem ação por não oferecer condições básicas de higiene e educação aos meninos

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2014 | 12h54

SÃO PAULO - A diretoria do Atlético-PR foi acionada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) nesta sexta-feira em ação civil pública por não oferecer condições básicas de higiene, educação e assistência médica aos garotos da base, que são formados no clube. O MPT também fez constar na ação que o Atlético-PR se vale de garotos menores de 14 anos em seu elenco de formação, o que é proibido por lei no Brasil.

O Atlético-PR se vale de um parceiro, o clube Andraus, para fazer esse trabalho de avaliação das categorias de base. Mesmo assim, o Ministério do Trabalho entende que o clube da primeira divisão é responsável pela garotada. A blitz dos promotores constatou a falta de papel higiênico e sabonetes, sujeira, umidade e fungos por todo os alojamentos onde os meninos dormem e se concentram, além da falta de infraestrutura generalizada. Até chuveiros não haviam nos banheiros.

Durante a inspeção do MPT, 29 garotos, entre 14 e 16 anos, estavam no clube fazendo testes, e apenas três deles eram de Curitiba, de acordo com o relato dos promotores. "Adolescentes são pessoas cujo intelecto, afetividade, valores morais e caráter estão em formação, e por isso são muito mais frágeis e suscetíveis a sofrer danos irreparáveis quando em situação de risco", declarou a autora da ação, Cristiane Lopes. A magistrada ainda ressaltou que o Atlético-PR já havia sido notificado das más condições com os garotos em ocasiões anteriores, e que nada foi feito.

MENSALIDADE

O Atlético-PR e seu parceiro também são apontados por cometer irregularidade ainda mais grave com os garotos que são reprovados nas 'peneiras'. Segundo a procuradora Cristiane Lopes, para esses meninos é oferecido um mês de "clínica" no clube com a finalidade de uma nova chance em outras avaliações. Só que para isso, é cobrado da família do garoto R$ 1.500, o que também é proibido por lei.

O MPT, em ação, cobra que todas essas irrgularidades sejam corrigidas imediatamente. Há ainda o pedido de uma multa pecuniária de R$ 500 mil. A diretoria do Atlético-PR ainda não se manifestou.

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