Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Ministério Público, Governo e Federação Paulista discutem ato de paz das organizadas

Ação das torcidas é questionada após divulgação de áudios que sugerem ligação com o PCC

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2016 | 06h00

Nesta quarta-feira, uma reunião entre integrantes da Federação Paulista de Futebol, Ministério Público, Tribunal de Justiça e Secretaria de Segurança Pública vai discutir o ato de paz proposto pelas principais torcidas organizadas de São Paulo. A iniciativa foi questionada após divulgação de áudios que circulam em grupos de WhatsApp em que supostos membros das uniformizadas afirmam que a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) ordenou o fim das brigas no Estado de São Paulo.

Em entrevista ao Estado, o promotor do Ministério Público Paulo Castilho afirmou que o encontro pretende avaliar o caso das Organizadas e sua possível ligação com o PCC, além das medidas para o futebol paulista em 2017. "Não vamos descartar nenhuma hipótese, sempre trabalhamos com esses líderes de torcidas que seriam ligados ao crime organizado. Vamos tomar as medidas que forem necessárias para que o futebol continue tendo a tranquilidade dos últimos meses e, se necessário, ampliar o caminho para ter paz."

O Ministério Público não levará nenhuma proposta na quarta-feira para qualquer encaminhamento. “Ninguém pode tomar uma decisão sozinho. Temos de colocar o debate de maneira democrática, levando em consideração a opinião de todos os envolvidos para chegar na melhor solução de repressao à violência no futebol," diz o promotor. As torcidas dos quatro clubes de São Paulo (Palmeiras, Corinthians, Santos e São Paulo) estão impedidas de participarem dos clássicos da cidade. Esses jogos têm torcida única.

Castilho ainda ressalta que em dezembro as ocorrências no futebol diminuiram drásticamente, mesmo aumentando a média de público e renda em clássicos, e as decisões que já foram tomadas devem ser levadas em consideração, uma vez que as respostas são positivas. "Com as nossas medidas, aliadas às do juizado dos torcedores, chegamos a economizar 150 políciais militares por jogo em torcida única. Hoje, temos competência para atuar na grande São Paulo. Já condenamos muitos torcedores e afastamos vários outros dos estádios."

CENÁRIO

Na semana passada, representantes das torcidas organizadas Gaviões da Fiel, Mancha Alvi Verde, Torcida Jovem e Independente foram à sede do DHPP para se reunir com representantes da Drade (5ª Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Desportiva) a fim de firmar um acordo de paz. Essa foi a primeira manisfestação após o simbólico encontro que aconteceu no Pacaembu, onde as torcidas dos quatro principais clubes de São Paulo se uniram para homenagear as vítimas da tragédia sofrida pela Chapecoense, no último dia 29 de novembro, na Colômbia.

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