Ministro Agnelo aposta nos pênaltis

A torcida do Santos fez tudo o que estava ao seu alcance para ajudar o time a ser campeão da Copa Libertadores da América. Lotou o Estádio do Morumbi e, com uma linda festa, fez o possível para tornar o local um verdadeiro caldeirão para o time do Boca Juniors. Com a ajuda do sistema de som, não fez por menos para intimidar o adversário: tão logo os jogadores argentinos entraram no gramado foram ?saudados" com o hino santista cantado a altos brados e gritos de ?olê ôlê, ôlê olá, Robinho vem aí e o bicho vai pegar!" Um destaque entre os santistas foi a diversidade da torcida. De um lado o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, esperava trazer sorte para o clube de coração, embora contasse com uma boa dose de sofrimento. ?Acho que vamos ganhar por 2 a 0 e depois levar o título nos pênaltis", previa. A poucos metros, em outra arquibancada os bombeiros santistas Renato França e Roberto Mota acreditavam em goleada e contava que a dupla Diego e Robinho incendiasse dentro de campo. ?Vai ser 4 a 1 para o Santos e o Robinho vai se redimir", apostava França. Mas o otimismo nas declarações contrastou com as ações ao redor do Morumbi. O termômetro foi a venda de faixas de campeão antes do jogo, que foi fraca. ?Trouxe umas 300 mas só vendi 14", lamentava o ambulante José Carlos Ido. Alcione Pereira dos Santos, concorrente do setor, não conseguiu desempenho muito melhor. ?Vendi umas 20", disse a vendedora que veio abastecida com 300. ?Vender bandeira e chapeuzinho está sendo mais fácil." Barulho - Antes do jogo, a confiança era da barulhenta torcida do Boca Juniors que, para compensar a desvantagem numérica fazia todo barulho possível com vários bumbos. O estudante argentino Nacho Bsas acompanhava o jogo com uma camisa do Boca e um gorro do Santos.?Troquei com um torcedor para levar de lembrança", disse confiante de que seu time sairia de campo vitorioso e faria um gol nos santistas. Para reforçar o grupo xeneize (apelido dos torcedores do Boca), uma ajuda corintiana de Ideildo da Silva, que considerou válido o esforço de ir ao Morumbi de cadeira de rodas só para ?secar" o time comandado por Emerson Leão. ?O Boca é o segundo time dos corintianos", disse o torcedor, que já apoiou o time argentino contra o Palmeiras, em outra Libertadores. Improviso - Nos bastidores, os organizadores do cerimonial da Libertadores passaram por um momento de constrangimento antes da partida ao constatarem que ao invés da bandeira da Argentina havia trazido uma do Uruguai. O jeito foi recorrer aos torcedores do Boca para evitar a gafe no momento da apresentação das equipes.

Agencia Estado,

02 de julho de 2003 | 22h45

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