Ministro do Esporte admite fracasso da Timemania

Orlando Silva afirma que foram cometidos erros na execução da loteria criada para ajudar os clubes de futebol

Marcelo de Moraes, Agencia Estado

23 de dezembro de 2008 | 15h25

O ministro do Esporte, Orlando Silva, reconheceu nesta terça-feira em Brasília que a arrecadação da Timemania (loteria criada para que os clubes de futebol equacionassem suas dívidas com o governo federal) ficou aquém do previsto. Segundo o ministro, a Caixa Econômica Federal tinha feito uma previsão de receitas de R$ 520 milhões para o primeiro ano de funcionamento da nova loteria, mas a arrecadação de 2008 representou um faturamento de apenas R$ 130 milhões, 25% da projeção original. Dê seu palpite no Bolão Vip do Limão  Silva avaliou que foram cometidos alguns erros na execução da Timemania. O primeiro foi o alto custo de cada bilhete. "A aposta custava R$ 2, enquanto as outras modalidades de loteria tinham preço de R$ 1. Isso aconteceu porque, durante o lançamento da Timemania, havia a expectativa de majoramento do valor de todas as outras apostas para R$ 2. Mas, com o temor da inflação, houve medo de que esse aumento pudesse pressionar tarifas públicas e o preço congelou. Resultado: ela ficou muito mais cara do que as outras loterias durante sete meses", lamentou.No entanto, o ministro acha que a Timemania teve o mérito de tirar os clubes de futebol da situação de inadimplência. "Recebemos pagamentos que considerávamos perdidos". Agora, ele discute com clubes e governo fórmulas para aprimorá-la para 2009, quase num processo de recriação, no que está sendo chamado de Timemania 2.No formato original, todos os clubes participantes tiveram suas dívidas com o governo parceladas. Como as parcelas eram muito elevadas, foi criada uma regra de transição para o primeiro ano, com essa dívida mensal sendo de, no máximo, R$ 50 mil. A expectativa é que a receita da Timemania criasse caixa para que os clubes pudessem pagar em 2009 as parcelas mais altas. Como isso não ocorreu, os clubes pleiteiam a prorrogação desse prazo de transição, que termina no início do ano, e jogarão o valor das parcelas mensais para a casa das centenas de milhares de reais."Como a Timemania não cumpriu o objetivo de receita nova no patamar esperado e não chegou ao resultado que sonhávamos, a prorrogação desse prazo é uma hipótese, porque alguns clubes vão ter muitas dificuldades para pagar as parcelas daqui para a frente", explicou, preocupado com a volta do estado de inadimplência dos clubes.

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