Ministro italiano chama jogadores de 'mimados'

Os jogadores de futebol da Itália foram chamados de "mimados" por um ministro de direita depois de terem ameaçado entrar em greve para exigir seus direitos.

REUTERS

17 de agosto de 2011 | 14h43

O Sindicato dos Jogadores reagiu rapidamente aos comentários, descrevendo como "sem sentido", mas sem dar indicações de que pode chegar a uma resolução para evitar a greve antes do início da temporada do Campeonato Italiano nos dias 27 e 28 de agosto.

Mais cedo este mês, o sindicato disse que a nova temporada poderia não começar até que um novo acordo coletivo fosse assinado, garantindo os direitos dos jogadores.

O acordo antigo venceu no final da temporada 2009/10 e as negociações para uma renovação duraram toda a última temporada, quando greves foram evitadas por duas vezes.

"Se essa classe mimada continuar com a ameaça de greve eu proponho que, assim como os políticos, eles dobrem as contribuições solidárias", disse o ministro de Gabinete, Roberto Calderoli, na quarta-feira.

"Não sei se as contribuições solidárias são justas ou não, mas se alguém deve pagá-las, são os jogadores."

A chamada contribuição solidária é um imposto temporário arrecadado de italianos que ganham mais de 90 mil euros por ano.

Leonardo Grosso, vice-presidente do Sindicato dos Jogadores Italianos (AIC), respondeu afirmando que "não faz sentido dizer que os jogadores são mimados".

"Os jogadores são contribuintes que seguem as regras. Deve-se lembrar que, enquanto alguns jogadores ganham muito, existem muitos outros que têm salários modestos e não são pagos em intervalos frequentes", acrescentou.

Calderoli chegou a propor no passado um limite de salário para jogadores e nas vésperas da Copa do Mundo de 2010 sugeriu que a seleção italiana deveria perder o direito ao bônus caso eles ganhassem. Na Copa, a Itália saiu na primeira rodada.

Entre as reclamações do sindicato está o fato de clubes tentarem forçar jogadores a mudarem de time no último ano dos contratos ou fazer com que jogadores que não são mais desejados pelos seus clubes treinem separadamente.

(Texto de Brian Homewood)

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