Dida Sampaio/Estadão - 29/01/2015
Dida Sampaio/Estadão - 29/01/2015

Ministro tenta construir consenso sobre refinanciamento

George Hilton considera que prazo de 17 anos para pagamento é razoável; bancada quer suprimir exigência de 20% de entrada

DANIEL CARVALHO E RAFAEL MORAES MOURA, Estadão Conteúdo

29 de janeiro de 2015 | 19h00

Depois de se reunir com parlamentares, dirigentes de clubes da primeira divisão e esportistas do Bom Senso FC, o ministro do Esporte, George Hilton, recebe nesta sexta-feira os cartolas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para tentar construir um consenso em torno do refinanciamento da dívida dos clubes. Hilton prometeu ouvir ainda clubes das séries B, C e D antes de fechar uma proposta na primeira quinzena de fevereiro sobre o tema.

"A ideia é ouvir todos os segmentos e extrair ideias que sejam importantes na construção de uma proposta que estabeleça claramente as diretrizes da repactuação dos passivos, porém exigindo contrapartidas claras de fair play financeiro e trabalhista e que coloque os clubes numa era de modernização", disse Hilton a jornalistas nesta quinta-feira, após mais uma reunião na Casa Civil, em Brasília. "Queremos amadurecer uma proposta, é importante ouvir todo mundo e, a partir das opiniões, das propostas, vamos apresentar texto, elencando pontos que definam regras claras de como será a relação entre governo e clubes de futebol", completou.

Segundo o ministro, a presidente Dilma Rousseff tem demonstrado que quer que o texto tenha regras claras que contribuam para o desenvolvimento do futebol brasileiro. "Queremos que os clubes tenham apoio do governo, mas que tenham uma atitude de modernizar a prática de futebol", ressaltou Hilton.

No dia 23 deste mês, o governo criou um grupo interministerial da Casa Civil, ministérios da Fazenda, do Esporte, da Justiça, da Previdência Social e da Advocacia-Geral da União para elaborar uma proposta legislativa para modernizar a gestão do futebol brasileiro.

A comissão foi criada após Dilma vetar artigo de medida provisória que introduzia a possibilidade de refinanciamento das dívidas dos clubes com a União, sem nenhuma contrapartida que os obrigasse a cumprir qualquer medida de responsabilidade financeira e de gestão, como o pagamento de multas em caso de atraso dos salários dos jogadores. A ideia do governo é fechar o texto de uma medida provisória na primeira quinzena de fevereiro.

Membro da "bancada da bola", o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) reuniu-se com o grupo interministerial na última quarta-feira e pretende apresentar na próxima semana uma proposta que inclua penalidades para times que atrasarem pagamentos, como perda de pontos até o rebaixamento da equipe em competições.

Da parte do governo, Arantes espera que haja uma flexibilização quanto ao número de parcelas em que a dívida pode ser dividida e a supressão da exigência de uma entrada de 20% do valor do débito. Enquanto os clubes pedem prazo de 240 meses (20 anos) para pagar, o governo propõe 180 (15 anos). Além disso, os times dizem não ter condições de apresentar qualquer entrada.

Sobre o parcelamento das dívidas, Hilton disse achar que 204 (17 anos) meses é um prazo "razoável", que vai permitir que os clubes realinhem a sua gestão financeira. "Os clubes trouxeram propostas que são importantes, há interesse de todos. Vamos intensificar o diálogo", afirmou o ministro.

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