Missão de Léo é atacar sem descanso

Enquanto as tietes gritavam histéricas por Robinho e Diego na saída dos jogadores do Centro de Treinamento para o ônibus do Santos, Léo teve toda a tranqüilidade para passar. Câmeras de tevê e fotógrafos também não se preocupavam com o lateral-esquerdo. Mas Leão dizia que todos estavam muito errados: "O Léo é o jogador que mais cresceu nos últimos tempos. Sua importância para o Santos se tornou decisiva", elogiava Leão. Se existe situação que o treinador detesta é destacar um jogador em detrimento dos outros. Mas há um bom motivo. O técnico acredita que poderá ganhar a decisão da Libertadores graças a Léo e Robinho. "Eu e o Robinho estamos orientados para ir para cima dos argentinos. O Robinho já é normal porque é atacante. Mas eu como lateral ganhei toda a liberdade para atacar e nem preciso olhar para a defesa. Vou entrar para ajudar o time a buscar os gols. E tenho certeza que eles virão do setor esquerdo", assegura, confiante, Léo.Em quatro anos o jogador conseguiu uma reviravolta fulminante na sua carreira. Em 1999 ele foi para o Palmeiras indicado pelo ex-diretor de futebol, Sebastião Lapola. O então treinador Luiz Felipe Scolari não foi consultado sobre a contratação do jogador e o dispensou histérico. "Pois é. Hoje o Palmeiras está na Segunda Divisão e eu estou na final da Libertadores. Fica uma lição para as pessoas que gostam de humilhar as outras. Ninguém avaliou com seriedade o meu futebol no Palmeiras. Esta será mais uma das respostas que tive a felicidade de dar dentro do campo. Por isso tenho de valorizar como nunca o Santos e fazer de tudo para que consiga o título. Preciso retribuir tudo o que esse clube e principalmente esse grupo fez por mim." A quatro dias de completar 28 anos, Léo faz uma revelação.De saída - A decisão da Libertadores poderá ser a última partida importante que fará pelo Santos. "Eu tenho uma cláusula no contrato que fixa uma multa rescisória muito baixa a partir deste mês de julho. As chances de eu ser vendido são muito grandes. Sou o jogador mais velho do elenco e posso ser transferido para ganhar dinheiro. Vou esperar para ver o que a diretoria do Santos irá resolver."Empresários de clubes europeus já procuraram a diretoria do clube atrás da liberação do jogador. "Mas eu quero sair do Santos vencendo a Libertadores. Uma chance dessas não acontece sempre na carreira de um atleta. Se o clube precisou esperar 40 anos para ter esta oportunidade é porque só um time especial chega à final. E o nosso é. Passamos por muitas dificuldades para atingir esse estágio. Chegou a nossa hora", repete, empolgado como um garoto.A sua vivência fez com que procurasse Leão e Wellington. "Com a saída do Elano tive de conversar com o Leão para sentir como ficará o time. Fiquei mais tranqüilo depois que entendi que os outros jogadores também forçarão Wellington no ataque. Uma decisão se ganha pelas laterais. E o Santos estará forte demais nas duas. Conversei com o Wellington e o menino está entusiasmado. Quero sair do Morumbi chorando de alegria", resume o desprezado mais valorizado do futebol brasileiro.

Agencia Estado,

01 de julho de 2003 | 20h12

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