Modernidade dos estádios ajuda a fazer público crescer

Algumas arenas têm médias animadoras, puxadas pelo Brasileiro, mas outras sofrem com má fase dos times e falta de jogos

Almir Leite, Diego Salgado e Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2014 | 07h00

É óbvio que os estádios não estão cheios como no Mundial, mas até que não dá para reclamar, pelo menos na maioria dos casos. O público pós-Copa nas arenas por onde desfilaram Toni Kroos, Thomas Müller, Messi, Robben, James Rodríguez, Neymar, Cristiano Ronaldo e outros craques tem sido bom, sobretudo nos grandes centros. Ainda assim, os administradores dos espaços se desdobram para criar alternativas que os deixem sustentáveis.

Apesar das reclamações contra os preços dos ingressos, quase "padrão Fifa'' em alguns estádios, os torcedores se mostram mais entusiasmados do que antes da Copa. A boa fase dos times ajuda, mas há casos em que mesmo com a equipes caindo pelas tabelas a casa fica cheia. O conforto das novas instalações e a segurança são apontados como fatores que chamam bom público.

O Maracanã, por exemplo, recebeu até agora cinco partidas depois da Copa e tem média de 30.146 torcedores por jogo, pouco mais de 39% de sua capacidade total, que é de 78.448, considerando-se a Copa do Mundo. A dupla Fla-Flu sempre levou mais de 20 mil pagantes e apenas o Botafogo, em má fase, destoa (11.975 no jogo contra o Cruzeiro).

Contribui para o bom público medida tomada pela Concessionária Maracanã ao retomar o estádio, após o período sob administração da Fifa: a possibilidade de o torcedor marcar o seu lugar nos setores Leste e Oeste da arena (onde a torcida fica misturada), além de poder imprimir o ingresso em casa e, assim, ir direto para a catraca, sem passar pelas bilheterias.

"Os lugares marcados são uma inovação que implementamos para dar conforto ao torcedor'', explicou Sinval Andrade, vice-presidente da empresa que administra o estádio.

O Corinthians também tem conseguido boa média com a sua nova arena: 29.390 em três jogos, praticamente 69% da carga máxima de ingressos pós-Copa, que está sendo de 43 mil bilhetes. Isso apesar de a torcida protestar constantemente contra os preços, considerados altos – o mais barato custa R$ 50.

No entanto, há estádios com sérios problemas para atrair público. Caso da Arena Pernambucano, que nos três jogos do Náutico registrou média de apenas 4.971 pagantes. A má fase do time na Série B do Brasileiro afugenta o torcedor.

Para obter maior fidelização, o que garantiria melhor público, a Arena Pernambuco lançou um cartão pré-pago com o qual o torcedor poderá comprar os ingressos e pagar pela internet.

O cartão servirá como bilhete, por meio de código magnético. "Nosso objetivo é dar comodidade ao torcedor'', diz Gustavo Molinaro, gerente de marketing do estádio. "Mas a fase ruim do time é um fator que afasta a torcida, pois diminui o interesse.''

Situação pior só a da Arena Amazônia e a do Mané Garrincha, que ainda não viram a bola rolar em seus gramados. O estádio de Manaus, que tem custo de manutenção de R$ 600 mil mensais, só tem futebol garantido no dia 16 de setembro, em um Vasco x Oeste, pela Série B. O de Brasília terá Botafogo x Fluminense no próximo domingo.

Em todos os estádios, há a aposta em eventos diversos, como shows e convenções, para gerar renda. Mas a esperança principal é o futebol. E a perspectiva é promissora. Até porque, a média geral de público do Brasileiro da Série A (todos os estádios) aumentou depois da Copa: de 12.616 para 17.637 torcedores por jogo.

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