Mogi já garantiu as finanças para 2005

Cotado em janeiro como forte candidato ao rebaixamento, o Mogi Mirim surpreendeu até mesmo seus torcedores ao chegar à 8ª rodada do Campeonato Paulista podendo assumir a liderança. Mais do que isso, as sete primeiras rodadas já garantiram um ano azul nas finanças do clube. O sucesso, no entanto, não tem segredo. A estratégia adotada pela diretoria foi a mesma dos anos anteriores, quando as campanhas não passaram nem perto da deste ano. O elenco foi formado basicamente por jogadores renegados, desconhecidos ou oriundos do futebol do Nordeste. A folha salarial é, ao lado da do União Barbarense, a mais baixa dentre os 20 times participantes do Paulistão. Gira em torno de R$ 100 mil, mas o pagamento é feito religiosamente em dia. A única vantagem em relação aos concorrentes foi ter sido o primeiro clube a trabalhar com o elenco fechado, desde novembro. Após o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro, a diretoria traçou planos com o técnico José Carlos Serrão para dar a volta por cima em 2005. O clube conta hoje com três homens fortes: o presidente Wilson Fernandes de Barros, grande idealizador do "Projeto Mogi" que é sucesso desde o início dos anos 90, além do seu filho, Marquinhos Barros, que divide com o experiente Henrique Storti o comando do futebol do time. Portanto, a sorte entrou em cena e colocou no caminho do Mogi Mirim jogadores talentosos como os atacantes Neto e Fábio Costa e o meia Diguinho. Para exemplificar a montagem do elenco, nenhuma história é melhor do que a do zagueiro Fábio Brás, agora um dos líderes dentro de campo. O técnico José Carlos Serrão o assistiu pela primeira vez em uma partida de várzea na periferia da cidade de São Paulo e o levou para ser testado no clube. Já o zagueiro Marcelo Miguel, com passagens por Guarani, Portuguesa e até pelo exterior, voltou ao Brasil e só conseguiu vaga no Mogi. E o meia Diguinho, de 22 anos, considerado por Serrão uma das revelações do campeonato, não era aproveitado no Inter-RS e foi indicado pelo empresário Jorge Machado, antigo parceiro do clube. Financeiramente, o ano do Mogi Mirim já está salvo. Além dos baixos investimentos, que poderiam ser cobertos com a cota oferecida pela Federação Paulista de Futebol, os bons jogos apresentaram ao mundo o atacante Neto, por quem o futebol coreano resolveu pagar cerca de U$ 550 mil. Destes, U$ 300 mil foram para os cofres do clube. Outra parte coube a Carlos Roberto, empresário que administra o Mirassol, da Série A2. A folha salarial não chega a R$ 100 mil por mês. Assim, são suficientes para todo o campeonato (4 meses) os R$ 420 mil oferecidos pela Federação Paulista pelos direitos de televisão. Por conta disso, todos saem ganhando. O todo-poderoso do clube, Wilson de Barros, premia o técnico quando é realizada uma negociação de valor. "Uma vez ele me deu um prêmio no valor de um carro zero", conta Serrão. O resultado de todo este trabalho somado à sorte é a valorização de todo um grupo. Não só os jogadores esperam seguir o caminho de Neto, como o próprio técnico José Carlos Serrão já começa a sentir o fruto do sucesso rápido. Ele foi procurado para dirigir o Paraná Clube, após a saída de Paulo Campos, mas espertamente negou o convite. "Posso receber menos no Mogi, mas tenho tempo e confiança para trabalhar", explicou. Ele espera dirigir o time também na Série C do Brasileiro. Vice-líder do Paulistão, com 18 pontos - apenas 1 atrás do Santos -, o Mogi vai receber o Guarani, domingo à tarde, atrás de sua sétima vitória. O desfalque será o lateral Tiago, suspenso.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2005 | 10h06

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