Morre juiz ?inventor? dos cartões

Ken Aston, o árbitro inglês que idealizou o sistema de cartões amarelos e vermelhos nas partidas de futebol, morreu esta semana na Inglaterra, aos 86 anos. O sistema, que surgiu como uma tentativa de colocar um fim nos problemas de comunicação entre o árbitro e jogadores, foi adotado pela Fifa a partir da Copa de 70. O advento dos cartões foi, na verdade, conseqüência de problemas ocorridos na Copa de 66, na própria Inglaterra. Naquele ano, um incidente na partida entre Argentina e Inglaterra chamou a atenção de Aston. O capitão do time argentino, Antonio Ratin, foi expulso mas se recusava a deixar o gramado. Ironicamente, justificava que não estava entendendo o que o árbitro alemão Karl Kreitlein lhe dizia. Aston contou que a idéia surgiu quando estava no trânsito, esperando o semáforo abrir. Lembrou-se que o sistema de cores do semáforo é universal e que poderia ser repetido. O cartão amarelo, lembrou ele, seria uma advertência. A cor vermelha, no entanto, surgiu por outro motivo: quando finalmente deixou o campo, Ratin sentou-se no tapete vermelho usado pela rainha, num dos episódios mais conhecidos de todo o Mundial. O vermelho do cartão veio como uma forma de resgatar essa imagem, revelou ele depois. Ken Aston foi presidente da comissão de arbitragem da Fifa durante quatro anos e introduziu várias outras inovações, como a transformação de bandeirinhas em juizes de linhas e a presença de um quarto árbitro. Ele morreu na última terça-feira, mas a notícia só foi divulgada nesta sexta pela família. Aston era casado com Hilda e deixa um filho, Peter.

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