Morre Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol

Ex-jogador do Botafogo e da seleção brasileira tinha 88 anos e estava internado no Rio

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2013 | 16h48

SÃO PAULO - O Brasil perdeu nesta quarta-feira a 'Enciclopédia do Futebol'. O ex-lateral-esquerdo do Botafogo e da seleção brasileira, Nilton Santos, morreu no Rio, aos 88 anos. O ex-jogador sofria de mal de  Parkinson - e não de Alzheimer, como vinha sendo noticiado - desde 2007 e havia sido internado no último sábado em um hospital da capital fluminense com insuficiência respiratória. Na segunda-feira, Nilton Santos foi diagnosticado com pneumonia. 

Nascido no Rio em 16 de maio de 1925, Nilton Santos jogou profissionalmente por dezesseis anos e defendeu um único clube, o Botafogo da estrela solitária. Por causa disso, criticava o hábito de muitos jogadores que comemoram gols beijando a camisa. "Não existe amor. Cada ano beija um símbolo diferente", costumava dizer sobre as imagens vistas na televisão.

Com a camisa do Botafogo, o jogador conquistou 26 títulos, participou de 729 jogos e marcou 11 gols. "Na minha época, tinha de atacar com cautela, porque se o time tomasse um gol nas minhas costas, o treinador ficava maluco", explicava. "Quando as pessoas falam que se jogássemos hoje ficaríamos ricos, eu não invejo o dinheiro que eles têm. Eu invejo é a liberdade que eles têm de jogar, de poder marcar e atacar", afirmou, em entrevista ao Estado em outubro de 2001.

Eleito pela Fifa o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, Nílton Santos fez 75 jogos pela seleção brasileira e marcou cinco gols. Foi reserva na Copa de 1950 e titular nos três Mundiais seguintes, conquistando o bi em 1958 e 1962. Numa época em que os esquemas de jogo eram bem diferentes dos atuais, com apenas três defensores incumbidos de marcar todos os avantes adversários, Nilton Santos criou seu próprio jeito de levar vantagem sobre os adversários, mesmo se estivesse de costas para eles.

Para tanto, usava até mesmo o sol a seu favor. "Eu ia tocando a bola (e observando). Quando a sombra chegava, sabia que era o adversário. Eu passava o pé por cima da bola e voltava", lembrou em entrevista à TV Globo, em 2004.

Mesmo depois de pendurar as chuteiras, Nilton Santos nunca deixou de frequentar o Maracanã - pelo menos até 2007, quando começou a lutar contra o Parkinson. "A bola é minha vida. Foi quem me deu tudo. Nunca me traiu, nunca me bateu na canela, sempre me obedeceu", dizia, demonstrando ainda felicidade por ser apontado como um dos maiores jogadores de todos os tempos. "O bom é as pessoas lembrarem da gente com saudade." O futebol brasileiro já sente essa saudade.

CURRÍCULO

Ídolo do Botafogo, Nilton Santos começou e encerrou sua carreira no clube carioca. Começou sua trajetória como profissional em 1948 e permaneceu no time até 1964. Também jogou pela seleção brasileira, jogando ao lado de Pelé e Garrincha a Copa de 1950. Sua última atuação pela 'canarinha' foi em 1962. 

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