Morre o jornalista Oldemário Touguinhó

O jornalista Oldemário Vieira Touguinhó morreu hoje, aos 68 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória, no Hospital São Vicente de Paula, na Tijuca, onde estava internado havia dez dias. Como repórter e cronista do Jornal do Brasil, ele participou da cobertura de dez Copas do Mundo (de 1962 a 1998) e de dezenas de outras competições internacionais. Foi colaborador de O Estado de S.Paulo e do Jornal da Tarde por 36 anos. O sepultamento está marcado para as 11 horas desta terça-feira, no cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, zona norte do Rio. A mulher de Touguinhó, Georgina, disse hoje que ele estava "enfraquecido" desde a cirurgia cardíaca a que foi submetido em abril de 1999. O problema foi detectado após exame de rotina. Em dezembro do mesmo ano, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). "Ele quase não falava mais de futebol, ficava muito deprimido porque não podia mais participar", disse ela. O repórter Geraldo Pedrosa, de 65 anos, hoje na Rádio Bandeirantes, contou que Touguinhó era padrinho de um dos filhos de Pelé. "Nós éramos ?inimigos?, porque eu trabalhava no jornal O Dia, mas sempre nos demos bem. Dificilmente vai aparecer outro igual. Suas principais características eram a versatilidade, honestidade e inteligência." "Ele sempre me dizia que as cinco coisas mais importantes de sua vida eram a família, os netos, o jornalismo, o Botafogo e a Mangueira. Ele vivia comprando presentes para os netos continuarem torcendo para o Botafogo. Foi uma figura sensacional e, nos últimos anos, a maioria dos furos da seleção brasileira foi dele", disse Israel Ginpel, de 69 anos, da rádio Jovem Pan. Touguinhó nasceu em Campos, no norte fluminense. Passou a infância no Catumbi, onde jogou futebol de salão no Clube Minerva e basquete pelo Clube Municipal. Tentou o futebol de campo no infanto-juvenil do Botafogo, mas acabou gerente do mercadinho de um amigo na Lapa. O sonho de ir à Copa do Mundo do Chile, em 1962, começou a se concretizar quando ele foi trabalhar na recém-criada editoria de esportes do Jornal do Brasil, em 1959, após uma rápida passagem pela editoria de política. Ao longo da carreira, Touguinhó ganhou vários prêmios, entre eles os Esso de informação esportiva de 1981 e 1983. Já teve artigos publicados no The New York Times, France Football e Number (Japão). É autor dos livros "As Copas que eu vi" (Relume Dumará, 1994) e "Maracanã" (1998), que narra a história do estádio, inaugurado em 1950.Tinha duas filhas e três netos.

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