Morte entre atletas está subestimada

O Comitê Olímpico Internacional (COI) alerta que a morte súbita de atletas em competições está sendo subestimada e que o índice de ataques cardíacos entre jogadores já é quase três vezes superior às taxas registradas na população geral. A partir desta quinta-feira, 15 dos principais especialistas em saúde esportiva se reúnem em Lausanne, na Suíça, para tentar fechar um acordo sobre como lidar com o fenômeno que está assustando não apenas os atletas, mas os cartolas e até os patrocinadores, que temem ter sua imagem afetada.Chefiada pelo professor Erik Meijboom, do Centro Hospitalar Universitário de Lausanne, a reunião incluirá representante do COI, da Fifa, além de especialistas da área do atletismo e de outros esportes.O encontro tentará estabelecer um consenso sobre medidas que possam impedir a manutenção das altas taxas de mortalidade no esporte por causa de ataques cardíacos e de outras doenças.Para que essas medidas fossem negociadas, um estudo foi preparado por pesquisadores suíços sobre as causas das mortes súbitas entre atletas com menos de 35 anos. O documento, elaborado por Karin Bille, David Figueiras e Erik Meijboom, aponta que dois a cada 100 mil atletas entre 12 e 35 anos morrem vítimas de ataques cardíacos por ano. O número pode parecer pequeno, mas para os cientistas é assustador, já que a incidências de ataques cardíacos mortais entre a população em geral é de apenas 0,7 a cada 100 mil pessoas por ano. "Entre a população que não é atleta profissional, a incidência é cerca de três vezes mais baixa que entre os atletas", afirma o COI.Segundo o estudo, 90% das mortes de atletas em atuação ocorrem por ataques cardíacos. Os demais motivos de mortes são asma, problemas pulmonares, problemas cerebrais, ruptura de uma artéria cerebral, assim como o consumo de drogas.Com base nesse estudo, espera-se que a reunião desta quinta estabeleça o "Protocolo de Lausanne", com orientações científicas para que os departamentos médicos de federações, clubes e escolas esportivas saibam o que fazer para evitar as mortes.

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