Morte súbita: clubes despreparados

A maioria das tragédias ocorridas nos últimos meses com a morte de jogadores e atletas durante competições poderia ter sido evitada se clubes e federações estivessem suficientemente preparados para lidar com problemas de saúde e se atletas estivessem sendo cuidadosamente examinados antes de serem autorizados a entrar em campo. A avaliação é dos principais pesquisadores sobre saúde esportiva do mundo, que desde esta quinta-feira se reúnem na sede do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Lausanne, para debater o assunto. Com base nas discussões dos especialistas, o COI, a Fifa e outras federações deverão anunciar nesta sexta-feira uma série de ações concretas para tentar controlar o fenômeno da morte súbita no esporte e orientar os cartolas e médicos sobre as medidas preventivas que deverão tomar de agora em diante. Pressionados diante do aumento dos casos de mortes nos últimos meses, o COI e a Fifa fazem questão de manter sigilo sobre o debate entre os especialistas. Os 15 médicos que participaram do encontro para tentar encontrar uma solução para o caso evitaram como puderam a imprensa internacional em seu primeiro dia de reuniões. Mas fontes que estiveram no encontro contam que ficou claro, pelo debate, que há como controlar essas tragédias. "As fatalidades são minoria nesses casos", afirmou um dos médicos, falando em condição de anonimato. Um dos principais estudos usados como base dos debates foi preparado por Erik Meijboom, da Universidade de Lausanne, e que liderou o debate em Lausanne. A pesquisa mostra que, atualmente, ataques cardíacos são responsáveis por 90% das mortes de atletas e que o índice de esportistas que morrem de paradas cardíacas é três vezes maior que o índice da população que não é atleta. Na Itália, por exemplo, um estudo da Universidade de Pádova mostrou que ocorrem 2,3 mortes de atletas para cada 100 mil pessoas. No estudo da Universidade de Lausanne, a taxa é de 2,1 mortes para cada 100 mil pessoas. Entre população que não pratica esportes, o índice máximo é de 0,7 ataques a cada 100 mil pessoas. Mas outros estudos e os próprios especialistas garantem que não é o esporte a causa do ataque cardíaco. "A prática do esporte apenas aumenta o risco daqueles que já têm algum problema. O obstáculo que temos é que muitos não sabem que têm problemas cardíacos até que começam a praticar esportes de uma maneira intensa. Em alguns casos, essa descoberta pode ser a própria morte. É por essa razão que exames completos devem ser realizados com todos os atletas antes de serem autorizados a atuar", afirma um especialista, que se recusou a comentar se casos específicos de mortes de jogadores foram tratados pelos pesquisadores no COI.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.