Morto com 16 tiros, fundador da Mancha Verde participou de conflito histórico

Moacir Bianchi e outros líderes da torcida fizeram com que a uniformizada ganhasse a fama de "mais violenta do Brasil"

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 11h10

Morto com 16 tiros na madrugada de quinta-feira, Moacir Bianchi, 48 anos, fundou a Mancha Verde em 1983 - atual Mancha Alviverde - com o objetivo de que o palmeirense fosse respeitado nos estádios. À época, já existia a TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras), que tinha a pecha de ser pacífica e, por isso, levava desvantagem nos confrontos com outras torcidas, entre elas a Gaviões da Fiel, principal organizada do Corinthians.

Moa (como Moacir era conhecido na facção) e outros líderes da torcida fizeram com que a Mancha Verde ganhasse a fama de uniformizada "mais violenta do Brasil". Ex-presidente da Mancha, ele participou de conflitos históricos, como a briga na Supercopa São Paulo de 1995, quando o gramado do estádio do Pacaembu foi transformado em um palco de guerra.

Ele dizia que todas as brigas que participou foram "sempre na mão". Nunca usou revólveres. "Bater muito e também apanhar muito faz parte do jogo", afirmava. Dizia também que perdeu as contas de quantas vezes brigou em estádios.

Em comunicado no Facebook, a Mancha classifica Moa como "uma pessoa que tanto lutou para que a Mancha Verde pudesse se tornar uma grande torcida, e para que a torcida do Palmeiras fosse respeitada. Moacir fez da Mancha Verde a sua vida”.

Ele trabalhava como empresário e atuava também na escola de samba da agremiação – teve participação efetiva no desfile do último Carnaval.  Bianchi foi o segundo líder da Mancha a ser assassinado. O primeiro foi Cléo Sóstenes, em 1988, considerado a primeira vítima fatal de conflitos envolvendo organizadas no Brasil.

Ele será enterrado na tarde desta sexta-feira no Cemitério Parque do Jaraguá - Rodovia Anhanguera, em São Paulo.

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