Motivado, Nelsinho quer sair por cima

Demissionário desde a posse de Marcelo Portugal Gouvêa na presidência do clube, o técnico do São Paulo, Nelsinho Baptista, vive um momento único em sua carreira. Pela primeira vez, persegue um título motivado não apenas pelo fato de enriquecer seu currículo ou a conta bancária. Quer provar para os novos cartolas do Morumbi, que desdenharam e criticaram seu trabalho mesmo antes de assumir o poder, que estavam equivocados. Em outras palavras, quer sair por cima. E mesmo sem contar com o apoio e admiração unânimes de seu grupo, a situação à qual ficou exposto comoveu a todos. Sem querer, parece ter conseguido dar ao time o que a torcida e ele próprio se cansavam de cobrar: união e ?pegada?. O título, para Nelsinho, é uma questão de honra: Estado - Você e os jogadores são questionados a todo tempo sobre a seqüência de jogos contra o Corinthians. Como se armar taticamente diante um adversário tão conhecido e que te conhece bem? Nelsinho Baptista - O que nós procuramos enfatizar nos treinamentos desta semana foi a necessidade de se movimentar constantemente. Sabemos que o adversário vai saber marcar todos os nossos primeiros movimentos. Por isso, precisamos dar continuidade, buscando espaços. Não adianta nada se o atleta tenta um deslocamento, percebe que está marcado e pára. É exatamente na seqüência dessa ação que podemos surpreender. Estado - É possível em uma final aparecer alguma inovação tática que possa surpreender o adversário ou o jeito é continuar atuando como fez durante todo o campeonato? Nelsinho - Fica difícil criar algo novo em poucos dias. Isso demanda tempo para que os jogadores entendam e apliquem a nova filosofia. O máximo que se pode fazer é mexer no posicionamento de um ou dois atletas, mas a base é a mesma que foi trabalhada no primeiro semestre. Estado - Qual a análise tática que você faz desse confronto? Nelsinho - Enquanto nós temos uma equipe rápida, o Corinthians marca muito bem no seu campo defensivo. Daí a necessidade de nos movimentarmos bastante até encontrarmos os espaços. Com relação ao posicionamento de nossa defesa, bom, isso infelizmente eu não posso falar para vocês antes do jogo.

Agencia Estado,

05 de maio de 2002 | 10h54

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