Bruno Teixeira/ Agência Corinthians
Bruno Teixeira/ Agência Corinthians

Motivo de polêmica desde a Copa, acordo por naming rights da Arena Corinthians pode sair em breve

Presidente Andrés Sanchez confirma que negociações estão perto de chegar ao fim; um dos parceiros especulados é do Magazine Luíza

Daniel Batista e Raul Vitor, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2020 | 14h00

Uma das tentativas de negociação mais longas do futebol brasileiro pode estar chegando ao fim. Há dez anos, o assunto naming rights da Arena Corinthians ganha espaço, vira motivo de esperança para os corintianos, mas também deboche dos rivais. Mais uma vez, o Corinthians informa estar próximo de um acerto para batizar sua Arena em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

O valor e o tempo do contrato ainda é incerto. Nem o nome do interessado é revelado para não atrapalhar o andamento das tratativas. Sabe-se que a negociação deve ficar em torno e R$ 300 milhões e R$ 350 milhões e deve ser válida por até 20 anos. Quatro empresas aparecem como possíveis candidatas ao posto: Magazine Luiza, Emirates, Claro e Samsung.  "Estamos bem perto. Mas a marca nunca esteve na camisa do Timão", disse Andrés Sanchez, presidente do clube. Pelas dicas do dirigente, a Samsung sairia da relação, já que a empresa teve seu nome no uniforme. 

A busca do Corinthians por um naming rights começou em 2010, antes da inauguração do estádio. Esse foi o ano em que Andrés Sanchez, então presidente do Corinthians, anunciou a construção da Arena. A venda dos naming rights do local esteve atrelada ao projeto desde o início. Seria a principal fonte de receitas do clube alvinegro para o pagamento da dívida que estava prestes a ser criada.

A ideia seria repassar o dinheiro da venda para a Odebrecht, encarregada de erguer o estádio, e assim quitar o empréstimo junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). "Só negociamos o naming rights. O resto será tudo do Corinthians. É 100% nosso: camarotes, cadeiras cativas, placas, restaurantes e estacionamento", comemorou Andrés, na época. O clube pedia R$ 400 milhões.

No ano seguinte, os primeiros nomes que poderiam batizar o futuro estádio de Itaquera - que ainda não havia sequer saído do papel - surgiram. "Estamos conversando com cinco ou seis empresas. Vamos devagar. Não quero vender o terreno, quero vender o estádio", disse Luís Paulo Rosenberg, que, na ocasião, encabeçava a diretoria de marketing do Corinthians.

Especulava-se que o clube teria iniciado conversas com quatro multinacionais: Petrobrás, Nike, Emirates e Nestlé. "Espero que a gente tenha os naming rights em fevereiro ou março (de 2012)", estimava o dirigente, que aguardava uma valorização do estádio para fechar com um comprador.

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Estamos conversando com cinco ou seis empresas. Vamos devagar. Não quero vender o terreno, quero vender o estádio
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Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians em 2011

A venda dos naming rights da Arena na data estimada por Rosenberg não se concretizou. O dirigente ressaltou que o clube não tinha pressa para cravar uma negociação, já que o contrato com um futuro comprador seria de longa vigência. Em 2012, outros dois possíveis compradores ganharam destaque na imprensa esportiva: a Qatar Foundation, que passou a investir no futebol, após o Catar se tornar sede da Copa do Mundo de 2022, e a companhia aérea Etihad Airways, dos Emirados Árabes Unidos, que é dona dos naming rights do estádio do Manchester City, da Inglaterra, o Etihad Stadium. Também se falava dos bancos Bradesco e Santander.

Em 2013, as vésperas da Copa do Mundo no Brasil, que teria sua abertura realizada na Arena, a pressão pela venda dos naming rights do então estádio batizado popularmente de "Itaquerão" aumentou. O preço pedido pelo clube, ao que tudo indicava, parecia afastar interessados e os dirigentes já admitiam reduzir seu valor inicial. "Pode ser 15%, 20% menor, mas depende de como vamos fechar esse pacote, complementando essa diminuição de valor com outras fontes de recursos", explicou o novo diretor de marketing do Corinthians, Ivan Marques.

No início daquele ano, a marca de cervejas Itaipava, que havia comprado os naming rights da Arena Fonte Nova, do Bahia, era uma forte candidata a batizar o estádio alvinegro. Mas também tudo ficou na especulação. Em setembro de 2013, a informação era de que estava tudo certo com a Emirates. 

Na ocasião, o Corinthians teria fechado um acordo com a Emirates por R$ 450 milhões, durante 20 anos. Isso lhe daria uma renda mensal de R$ 22,5 milhões. Andrés Sanchez viajou aos Emirados Árabes para tratar do negócio, dado como certo. No entanto, voltou bem menos otimista. "Está morno. Nem quente nem frio", disse o ex-presidente, na época. E a negociação não evoluiu.

No ano da Copa, outro nome entrou na lista de possíveis compradores. Dessa vez foi a Kalunga, que patrocinou o clube entre 1985 e 1994, e que tem como um de seus donos, Paulo Garcia, sócio e conselheiro do Corinthians. A empresa teria oferecido R$ 350 milhões pela aquisição dos naming rights da Arena, por 20 anos. No entanto, um acordo com a Emirates voltou a ser dado como certo, em setembro de 2013, mas Andrés negou que a venda estava fechada. "Ainda não concluímos nada, estamos negociando... É complicado por ser uma coisa nova para o Brasil, as empresas de fora têm receio. Mas enquanto não é comercializado, o nome é Arena Corinthians, não Itaquerão", dizia.

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Ainda não concluímos nada, estamos negociando... É complicado por ser uma coisa nova para o Brasil, as empresas de fora têm receio. Mas enquanto não é comercializado, o nome é Arena Corinthians, não Itaquerão
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Andrés Sanchez, em 2013

Nos anos seguintes, a promessa continuou sendo a mesma. Em entrevista ao Estadão, em 2017, o presidente Roberto de Andrade chegou a se irritar durante entrevista, quando questionado sobre o assunto. "Pensa que é fácil vender o nome de um estádio em um País em que arena é um produto novo? Estamos falando de cifras altas e vivendo a maior crise da história do Brasil, concorda comigo? Isso atinge todo o Brasil. São 12 milhões de desempregados. Como você quer que a empresa faça um investimento desse tamanho?", disse, após afirmar que não sabia o motivo de o clube ainda não ter acertado um nome para sua casa. Depois disso, o assunto esfriou.

No segundo semestre de 2020, no entanto, o assunto voltou a dominar o noticiário esportivo. Agora, a venda é dada como certa, porém, o clube trata o possível comprador como um enigma. A dívida estimada é de R$ 1,5 bilhão com o estádio.

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