Hannah McKay/Reuters
Hannah McKay/Reuters

Motor da seleção, Marcelo concentra jogadas de ataque do Brasil

Lateral-esquerdo é o atleta que mais participa do jogo pela equipe de Tite

Almir Leite e Ciro Campos, enviados especiais / Moscou, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 05h00

Philippe Coutinho foi o destaque da seleção brasileira nos dois primeiros jogos da Copa do Mundo com dois gols. No entanto, o lateral-esquerdo Marcelo teve participação, se não decisiva, muito importante para a equipe. Ele é o jogador que mais tocou na bola na soma das partidas contra Suíça e Costa Rica, com índice de aproveitamento bastante alto.

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De acordo com as estatísticas da Fifa, o jogador do Real Madrid deu 240 toques na bola e foi o terceiro mais ativo nesse quesito nas duas primeiras rodadas do Mundial – curiosamente, os dois primeiros são seus companheiros de clube, o espanhol Isco (261) e o alemão Toni Kroos (242). Teve 86,24% de acerto, ou seja, passes e lançamentos corretos. Contra a Suíça, completou 63 dos 79 passes que tentou (80%). Diante da Costa Rica, foi quem arriscou mais passes, 110, com 98 completados (89%).

A habilidade e a visão de jogo de Marcelo acabaram por torná-lo um dos mais importantes jogadores da seleção de Tite. Sua força ofensiva e a capacidade de descobrir espaços no campo o transformaram quase num meia, um apoiador. E nas duas partidas da Copa, em vários momentos em que o jogo estava difícil e os adversários com a defesa fechada, Marcelo foi acionado para organizar a jogada.

Tite nunca escondeu a admiração pelo futebol de Marcelo. O treinador, inclusive, admitiu que chegou a cogitar a possibilidade de escalar o jogador no meio de campo, mas a falta de tempo disponível para ensaiar esse tipo de formação o impediu de testar Marcelo em outra posição fora da lateral. “Ele tem uma capacidade criativa impressionante. Os recursos técnicos que ele tem, o pensar rápido, o tornam um jogador fora dos padrões técnicos normais”, já disse o treinador.

Na estreia da seleção na Copa, contra a Suíça, o treinador deu a Marcelo a tarja de capitão. Justificou a escolha dizendo que o jogador, além de ser experiente e ter o carinho do grupo, representava uma liderança técnica. Marcelo é um dos remanescentes da Copa de 2014 convocados por Tite – os demais são Neymar, Paulinho, Willian, Thiago Silva e Fernandinho.

 

Tite está convicto de que Marcelo pode ser a solução para a seleção em situações críticas, mesmo o time contando com jogadores do quilate de Neymar, Gabriel Jesus e Philippe Coutinho. Por isso, na partida amistosa contra a Croácia, antes da Copa, em Liverpool, o técnico escalou uma formação destinada a liberar totalmente os avanços do lateral: colocou Fernandinho como volante com a missão de cobrir as subidas de Marcelo.

Naquela ocasião, o esquema não deu certo. Mas Tite ainda não desistiu totalmente dessa opção. E, independentemente dela, quer Marcelo apoiando o ataque e organizando jogadas, pela lateral e pelo meio também. Assim, inclusive, deve ser nesta quarta-feira contra a Sérvia.

Marcelo sente-se à vontade para colaborar. Seja qual for o esquema. “Temos de fazer o que o professor acha melhor, o que ele pedir a gente vai se adaptar, sem problema de posicionamento”, entende. E garante estar tranquilo e pronto para a missão de “organizar” o jogo brasileiro quando for preciso.

 

 

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