Oli Scarff/ AFP
Oli Scarff/ AFP

Mourinho 'deixa de ser especial' e parece com os dias contados no United

Treinador português coleciona inimigos dentro e fora do campo e, sem resultados, vê crescer pressão por sua queda

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 05h00

"Você não é mais especial.” A frase entoada pelos torcedores ingleses para provocar o técnico José Mourinho a cada jogo do Manchester United ganha cada vez mais força. Apontado como um dos principais treinadores europeus nos últimos 15 anos, o português vive em rota de colisão com jogadores e dirigentes de seu próprio clube.

Outro alvo de Mourinho é a imprensa. Após a derrota por 3 a 0 para o Tottenham pelo Campeonato Inglês, o treinou deixou a coletiva irritado com os jornalistas. “Eu ganhei mais Premier Leagues sozinho do que os outros 19 técnicos juntos. Três para mim, duas para eles. Me respeitem! Me respeitem!’’

A maior vítima atual de José Mourinho é ninguém menos do que Ed Woodward, vice-presidente do United e responsável pelas negociações de jogadores. Desde sua chegada ao clube, em 2016, The Special One, como o português se autodenomina, gastou 432 milhões de euros (R$ 2,3 bilhões), mas ele já afirmou que a quantia não é o “suficiente”.

Mourinho começou muito bem sua passagem pelo United, quando conseguiu conquistar Liga Europa, Copa da Liga Inglesa e Supercopa da Inglaterra. Na última temporada, no entanto, nenhuma taça foi levantada e críticas começaram a surgir, principalmente por causa do estilo de jogo pragmático do time. Na atual temporada, o United ocupa a 10.ª posição, com duas vitórias e duas derrotas.

“As decisões técnicas do treinador jamais foram questionadas, porém é certo que Mourinho passou dos limites em alguns momentos em sua relação com os jogadores”, disse Florentino Pérez ao anunciar o desligamento de Mourinho do Real Madrid, onde se desentendeu com Casillas, Sergio Ramos, Kaká e Pepe. Atritos com o brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa, Hazard e Fábregas também foram apontados como fatores para sua demissão do Chelsea em 2015.

No United, a relação de amor e ódio do técnico é com o francês Pogba. Mourinho já chegou a defender publicamente o volante por conta de críticas de Paul Scholes e acusou o ex-jogador e atual comentarista de ter inveja do sucesso financeiro de seu jogador.

“Não é culpa de Paul (Pogba) ter ganho mais dinheiro do que Scholes.” Porém, o relacionamento do volante com o treinador foi apontado como um dos motivos para o meio-campista querer deixar o clube.

Apesar da turbulência, Mourinho garante estar tranquilo e não teme o nome de Zidane, que ganha força – no fim de semana disse que seu retorno ao futebol está próximo. Com contrato até 2020 e salário anual de quase R$ 70 milhões por ano, o português deu de ombros para sua saída. “Muita gente diz que estou em perigo, mas não estou de acordo. Se me mandarem embora, tem ideia da quantidade de dinheiro que teriam de me dar?”, questionou em entrevista ao jornal Gazzetta dello Sport.

 

 

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