Paul Ellis/AFP
Paul Ellis/AFP

Mourinho não abandona estilo mesmo em seu pior momento

Nesta segunda, treinador botou a culpa da derrota nos jogadores

O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 10h13

Em agosto de 2012, José Mourinho, então técnico do Real Madrid, deu uma entrevista à Rede SIC, de Portugal, lembrando suas conquistas como técnico e sugeriu uma 'atualização' em seu apelido: "Graças a Deus, as coisas têm continuado a correr bem. E, gostem ou não gostem de mim, sou o único a ter conquistado as três ligas mais importantes do mundo. Por isso, em vez de Special One (o especial), talvez devessem passar a chamar-me Only One (o único)".

A humildade nunca foi o forte de José Mourinho, que consolidou o apelido de 'Special One' após ter faturado o Campeonato Inglês, pelo Chelsea, o Italiano, pela Inter de Milão, e o Espanhol, pelo Real Madrid. Além disso, já havia ganho a Liga dos Campeões pelo Porto e pela própria Inter. Como o próprio técnico indicou há três anos atrás, ele pode ter acumulado seus desafetos na carreira, porém, seu currículo deve ser respeitado.

Já na temporada 2015-16, José Mourinho vive seu inferno astral, ou, como ele mesmo definiu, 'o pior momento' de sua carreira. Nesta segunda-feira, o Chelsea somou mais uma derrota no Campeonato Inglês, perante ao Leicester, por 2 a 1, e agora ocupa a 16ª posição da tabela. O atual campeão inglês está, hoje, a um ponto da zona de rebaixamento, mesmo tendo o mesmo elenco milionário da última temporada. Portanto, fica a pergunta: o que acontece com Mourinho?

"Uma das minhas principais qualidades é que posso ler o jogo e identificar as forças do meu oponente e dizer isso aos meus jogadores. Então, é uma frustração imensa aceitar esses gols porque meu trabalho foi traído, se essa é a palavra correta", disparou Mourinho após a partida. Em toda a sua carreira, esta é a primeira vez que ele luta contra o rebaixamento. Na mesma entrevista, ele se disse 'envergonhado' e admitiu a derrota no objetivo de terminar entre os quatro primeiros do campeonato antes mesmo da metade da competição.

Ao contrário da maioria dos técnicos brasileiros, José Mourinho não convive cotidianamente com seus jogadores. Ele, aliás, sequer dá treinos no Chelsea, delegando a atividade a seu auxiliar. Sua principal função é a de 'estrategista', montando a equipe e a tática para a partida seguinte, geralmente, entre quatro paredes. Ele, inclusive, chegou a cunhar seu próprio estilo defensivo e de resultados de 'Parking the Bus' (ou 'Estacionando o Ônibus, como se o veículo estivesse posicionado em cima da linha do gol).

Talvez por conta desta falta de convívio com os atletas, ele tenha acumulado tantos desafetos na carreira. O fato de ter jogado a culpa nas costas dos jogadores após a derrota para o Leicester foi apenas o último em sua carreira. Neste mesmo ano, ele se envolveu em um pequeno atrito com o atacante Diego Costa, que, irritado com a reserva, atirou um colete em direção ao técnico. No Real Madrid, seu último clube antes da volta ao Chelsea, colecionou inimizades com Casillas, Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos, líderes do elenco merengue.

A cada derrota do Chelsea, os rumores sobre uma possível demissão do treinador português reacendem. No início da temporada, ele se assegurou no cargo porque, segundo ele, o Chelsea "não encontraria" um técnico acima de seu nível. Porém, outro mau resultado diante do Sunderland, no sábado, pode significar não apenas a ida para a zona de rebaixamento do futebol inglês, mas o fim da segunda 'Era Mourinho' nos Blues.

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