MP denuncia Big Brother de Dualib no Parque São Jorge

Ex-presidente do Corinthians havia armado um sistema de câmeras escondidas no Parque São Jorge

Martín Fernandez, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2008 | 20h11

Alberto Dualib, ex-presidente do Corinthians, montou um verdadeiro Big Brother no clube que comandou por 14 anos (1993-2007). De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, apresentada nesta quinta à Justiça, o cartola armou um sistema de câmeras escondidas no Parque São Jorge, para poder acompanhar tudo o que acontecia no clube mesmo quando lá não estava. Veja também:  Sorteio de árbitro do clássico divide opiniões Alberto Dualib é indiciado por estelionato Corinthians adota a 'filosofia' de outrora do Palmeiras Corintianos não vêem descanso como vantagem para o clássico Mano Menezes esconde time do Corinthians para o clássico Herrera: 'Ainda não me sinto titular do Corinthians' Corinthians e Palmeiras devem jogar com seus uniformes 3 no clássico? STJD cancela punição de presidente do Corinthians  Segundo a denúncia dos promotores Arthur Lemos Júnior, José Reinaldo Guimarães Carneiro, Roberto Porto e Andressa Acerbi, Dualib instalou câmeras nas salas do departamento jurídico, do gerente financeiro, do vice-presidente administrativo, na recepção da presidência e na sala de reuniões. "As câmeras eram embutidas em tomadas de eletricidade e sensores de presença", disse Carneiro. "A investigação nos levou a um provedor de internet. E descobrimos que ele (Dualib) acessava o conteúdo das câmeras de qualquer lugar, pelo computador, com uma senha." Tudo isso, sempre segundo o MP, para azeitar um esquema que lesou o clube em pelo menos R$ 1.433.333. Outra investigação, da Polícia Civil de São Paulo, à qual a Agência Estado teve acesso, mostra que os rombos podem superar os R$ 5 milhões. O dinheiro foi desviado por meio do uso de notas fiscais frias - que eram pagas, apesar dos serviços nunca terem sido prestados. Além de Dualib, também são acusados o ex-vice Nesi Curi, o ex-diretor financeiro Marcos Roberto Fernandes, o ex-diretor de recursos humanos Daniel Espíndola e o empresário Juraci Benedito, que fornecia as notas frias. A investigação do MP relaciona 264 notas fiscais, emitidas por quatro empresas com nomes diferentes - mas todas operadas por Juraci Benedito - de valores que variam de R$ 1.200 a R$ 12.000. Os seis acusados foram denunciados por formação de quadrilha e estelionato. No ano passado, a Justiça já havia rejeitado denúncia semelhante do Ministério Público, sob a alegação de que promotores não podiam investigar sozinhos. Por isso, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) foi chamado a colaborar. O advogado de Alberto Dualib, José Luiz Toloza Costa, disse desconhecer o conteúdo da acusação. "Ainda não sei se foi recusada", afirmou. Disse ainda que "parece absurdo" o fato de Dualib ter instalado câmeras no Parque São Jorge. Os demais acusados não foram encontrados pela reportagem.

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