Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

MP diz que eleição à presidência do Corinthians 'foi brincadeira de má-fé'

Promotor Paulo Castilho concedeu entrevista nesta terça-feira para explicar o processo criminal em relação ao pleito

Estadão Conteúdo

28 Agosto 2018 | 19h22

O promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo, concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira para explicar o processo criminal envolvendo a eleição do Corinthians. Ele afirmou considerou o pleito uma "brincadeira de má-fé" e considerou uma vitória do órgão a aplicação da multa para a empresa responsável.

Na segunda-feira, a audiência pública determinou que a empresa Telemeeting, responsável pela apuração das urnas eletrônicas, fosse multada em seis salários mínimos (R$ 5.724,00). A empresa aceitou o acordo.

"Não temos nos autos nenhuma prova de que algum candidato teve envolvimento nisso. O que temos é que essa eleição é inexistente. Seria como fazer um exame e, ao invés de um médico usar uma tomografia, ele tirar uma foto. A eleição foi uma brincadeira de má-fé com o associado. Não teve seriedade", explicou.

As investigações do inquérito policial foram feitas pela 5.ª Delegacia de Polícia e Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade). O Ministério Público de São Paulo decidiu processar a Telemeeting Brasil, empresa contratada para fazer a eleição presidencial corintiana, por violação do Código de Defesa do Consumidor.

"Não foi garantido o sigilo, a lisura do pleito, porque a própria investigação apontou uma série de evidências, de fatos que tiram a credibilidade. Não tem nenhuma credibilidade essa eleição. Na parte criminal, alcançamos o intento, que era o inquérito policial", completou.

Na visão do MP, a empresa não entregou o serviço proposto ao clube. Os principais problemas foram: desconformidade do serviço, falta de segurança e de credibilidade no programa da urna eletrônica.

A suspeita dos candidatos derrotados era de que ao menos uma urna havia sofrido adulteração e que, com isso, votos não haviam sido computados. A ação tinha como autor o candidato derrotado Paulo Garcia; no MP era o titular penal. Duas empresas realizaram perícias nas urnas.

Os candidatos ainda podem entrar com uma ação civil para tentar anular a eleição. O alvo dessa eventual ação seria agora o Corinthians e não mais a empresa prestadora de serviços. Desde que foi eleito, o presidente Andrés Sanchez comanda o clube. O Corinthians ainda não se manifestou de forma oficial sobre o episódio.

 

 

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