MP do Futebol fica para fevereiro

O texto da medida provisória que vai tentar reduzir a corrupção no futebol brasileiro ficará pronto no final deste mês e deverá ser editado em fevereiro, previu nesta terça-feira o relator da CPI do Futebol, senador Geraldo Althoff (PFL-SC). Ele vai retomar na semana que vem as negociações com o Ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, e com o Advogado-Geral da União, Gilmar Mendes, e quer garantir a inclusão na MP de dois pontos que considera essenciais. O primeiro é a obrigatoriedade de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as federações estaduais e os clubes serem transformados em empresas ou, então, passarem a ser administradas por empresas. O segundo é a autorização para que a fiscalização fique a cargo do Ministério Público, que ganharia poderes para pedir o afastamento de dirigentes corruptos."A ausência desses dois itens só interessa a quem tem coisa para esconder", afirmou Geraldo Althoff. De acordo com o relator da CPI, sem esses pontos a MP ficará frágil e nem de longe vai atingir o objetivo de moralizar o futebol."Como empresas, os clubes, a CBF e as afiliadas terão de responder por seus atos", disse o senador. Ele acredita que a atuação do Ministério Público vai impedir que a administração do futebol continue "desorganizada e sem transparência".O senador atribuiu aos dirigentes denunciados pela CPI a "falsa informação" de que a Advocacia-Geral da União quer excluir da MP a possibilidade de o Ministério Público pedir à Justiça o afastamento de cartolas que desviarem recursos das entidades. Ele lembrou que um dispositivo semelhante estava previsto na versão original da Lei Pelé, do Executivo, e terminou sendo derrubado pelos parlamentares ligados à CBF. "Eles têm uma rede de influência muita grande", queixou-se. Althoff não quis citar nomes, mas se disse convencido que "há muito mais gente do que se pode imaginar atuando para barrar a edição da medida provisória".O certo é que o esboço da MP ainda nem chegou à Advocacia-Geral da União. Para o relator da CPI, o que deve ser levado em conta são as conversas que teve com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o Ministro Carlos Melles. "Eles se mostraram parceiros do trabalho da CPI", assegurou Althoff. "Não me passa pela cabeça que queiram prejudicar o trabalho da comissão."De acordo com o senador, a proposta da MP foi redigida no Senado com base no projeto de lei que criaria a Lei de Responsabilidade Social do Futebol, proposto pela CPI. O texto seguiu depois para o Ministério do Esporte, que agora vai encaminhá-lo ao Palácio do Planalto.Segundo ele, o trabalho está sendo feito da mesma forma como ocorreram as investigações da CPI, "sem precipitação e de olho no bem comum dos torcedores e de todos os cidadãos brasileiros".

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2002 | 18h32

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