Wilton Junior/Estadão
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MP do Rio cobra Ferj sobre descumprimento de protocolo médico no jogo do Flamengo

Entidade questiona motivo de a equipe rubro-negra não ter obedecido à determinação de ficar concentrada por 48 horas

Ciro Campos, Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 16h43

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encaminhou nesta sexta-feira um ofício à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) para pedir esclarecimentos sobre um possível descumprimento do protocolo médico de prevenção ao novo coronavírus na partida de quinta-feira, entre Flamengo e Bangu no Maracanã, pelo Campeonato Carioca. O questionamento principal é que a equipe rubro-negra não teria cumprido o período prévio de dois dias de concentração antes do jogo, como previa a cartilha preventiva. A Ferj, por sua vez, nega a irregularidade.

A Ferj foi acionada após o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) ter enviado um ofício ao MPRJ para reclamar da falta do cumprimento de diretrizes de segurança. Segundo o Flamengo, a concentração para o jogo não foi feita no período de 48 horas prévios ao início da partida porque a realização do encontro só foi confirmada pela Ferj na quarta pela manhã, portanto com antecedência de apenas 36 horas.

O MPRJ ainda questiona se a Ferj realizou de última hora alguma mudança no protocolo prévio de segurança em comparação ao documento finalizado no dia 12, questiona a fiscalização feita pela entidade para os preparativos da prtida e cobra esclarecimentos sobre a ausência de concentração dos jogadores do Flamengo. Se for confirmado algum de descumprimento, a Ferj poderá ser punida por desrespeitar um decreto estadual que regula as atividade econômicas durante a pandemia.

"O MPRJ requisita que a federação de futebol informe se realmente foi elaborada nova versão do protocolo, diferente da enviada ao Ministério Público em 12/06, questiona sobre existência de fiscalização por parte da federação, e quanto ao cumprimento do protocolo Jogo Seguro por parte dos clubes, indicando quais medidas sancionatórias podem vir a ser tomadas em caso de descumprimento", explicou o MP.

Em nota oficial, a Ferj afirmou que o protocolo original de cuidados médicos do time foi "enriquecido" para o jogo no Maracanã com a inclusão de um outro teste rápido com material coletado de nasofaringe, que por ser considerado mais eficiente, dispensa a necessidade de os times terem ficado concentrados por 48 horas para preservar o isolamento social. A entidade esclarece ainda que o protocolo permite atualizações, desde que se amplie assim a eficiência das atividades esportivas.

"A concentração não se faz necessária ou pode ser por tempo inferior a 48h caso seja utilizado o Teste Rápido para e, desta forma, servir como parâmetro de detecção do antígeno viral nas vias aéreas. A comprovação da realização de Teste Rápido para Covid-19 supre, a qualquer tempo, a necessidade de concentração", afirmou a Ferj.

A entidade que rege o futebol no Rio garante que o protocolo original não sofreu mudanças e promete encaminhar em breve ao MPRJ os esclarecimentos solicitados.

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