Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

MP e Flamengo não chegam a acordo sobre indenização das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu

Em nota, órgão informa que 'valores apresentados pelo clube estão aquém do minimamente razoável'

Gonçalo Junior, Fábio Grellet/RIO, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2019 | 21h23

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público do Trabalho informaram nesta terça-feira que esgotaram as negociações com o Flamengo e não chegaram a um acordo de indenização às vítimas do incêndio que aconteceu no Ninho do Urubu deixando dez vítimas. De acordo com os órgãos, os "valores apresentados pelo clube estão aquém daquilo que as instituições entendem como minimamente razoável". O Flamengo rebate e afirma que ofereceu "valores maiores dos que estão sendo estipulados em casos similares, como, por exemplo, o incêndio da boate Kiss, ocorrido em 2013". 

O Ministério Público e a Defensoria têm reunião marcada com as famílias para esta quarta-feira. A expectativa era apresentar valores para fechar o acordo, o que não será mais possível. De acordo com o comunicado, as famílias vão receber orientações para buscar reparação pelas perdas do incêndio no Ninho do Urubu. Ainda de acordo com o comunicado, a recusa do Flamengo foi informada por meio de ligação telefônica às 19h desta terça-feira (19).

Um incêndio deixou dez mortos, no Centro de Treinamento do Flamengo, em Vargem Grande, zona oeste do Rio, no dia 8 de fevereiro. As vítimas foram atletas das categorias de base do clube, que dormiam no local. Abaixo, a íntegra da nota publicada pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro: 

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público do Trabalho informam que, esgotadas todas as tentativas de negociação, o Clube de Regatas do Flamengo recusou-se a celebrar um acordo de reparação às vítimas do incêndio ocorrido no Centro de Treinamento Ninho do Urubu com as instituições acima referidas. Os valores apresentados pelo clube estão aquém daquilo que as instituições entendem como minimamente razoável diante da enorme perda das famílias e demais envolvidos. A recusa do acordo foi informada por meio de ligação telefônica às 19h desta terça-feira (19). Encerrada a tentativa de acordo, as instituições buscarão agora reparação judicial. Já nesta quarta-feira (20), familiares dos jogadores serão atendidos pela Defensoria Pública para que sejam orientados sobre as medidas possíveis.

Outro lado

Por meio de nota oficial, o Flamengo informa que "teve o cuidado de oferecer valores  maiores  dos que estão sendo estipulados em casos similares, como, por exemplo, o incêndio da boate Kiss, ocorrido em 2013". O clube ressalta que "até hoje, vale lembrar, famílias não receberam a  indenização". 

Outro trecho do documento diz que "a atuação do Flamengo, no Brasil, é praticamente inédita, até onde se tem notícia". Por fim, o clube afirmou que instaurar um procedimento de mediação. "Diante disso, o Flamengo reitera o propósito de se antecipar e informa que vai instaurar procedimento de mediação no Núcleo de Mediação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, coordenado pelo Desembargador Cesar Cury, e para o qual convidará as famílias - e deixando claro que as autoridades também serão convidadas", finaliza a nota. 

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