MP investiga fortuna dos irmãos Perrella

O Ministério Público de Minas Gerais instaurou hoje um procedimento investigatório para apurar a evolução patrimonial dos irmãos Zezé Perrella e Alvimar de Oliveira Costa, conhecido como Alvimar Perrella, respectivamente vice-presidente de Futebol e presidente do Cruzeiro. Com base em uma reportagem publicada no último domingo pelo jornal Estado de Minas, o promotor Eduardo Nepomuceno disse que há "indícios suficientes" para a abertura de uma investigação sobre um possível "desvio de bens ou enriquecimento ilícito" dos dirigentes nos anos que estiveram à frente do clube mineiro. "O objeto central é o suposto desvio de bens do clube em favor dos dirigentes", disse. Os irmãos Perrella controlam o Cruzeiro desde 1995, quando Zezé assumiu a presidência, ocupando o cargo por três mandatos consecutivos, até 2002. Neste ano, impedido de ser reeleito, fez o irmão como sucessor. A reportagem do jornal mineiro relata a sociedade de Zezé Perrella em uma rede de empresas e informa que o dirigente declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em 1998, quando se candidatou a deputado federal, um patrimônio de R$ 830 mil, que saltou para R$ 1,94 milhão três anos depois. Segundo o jornal, o capital social das quatro empresas com as quais o dirigente possui ligação é de R$ 3,5 milhões e a fortuna acumulada por Perrella nesses últimos anos pode ser verificada pelos seus bens. O dirigente saiu de uma residência de classe média para morar em uma mansão no bairro nobre da Pampulha, em Belo Horizonte, avaliada em R$ 2 milhões, além de possuir carros importados e até um avião. O promotor Fernando Galvão informa que a investigação contará com o apoio da Polícia Federal e da Receita Federal. O conselheiro e auditor do Cruzeiro, Euler Mendes Nogueira, é apontado como contador dos irmãos Perrella e teria ligações com algumas de suas empresas. "Há um conflito de interesses. Se estiver havendo desvio de valores do clube, o contador poderia estar arrumando isso", observou o promotor. Outro alvo da investigação é a denúncia de que uma das empresas abertas para viabilizar a parceria entre Cruzeiro e Hicks, Muse Tate & Furst, que vigorou de 1999 a 2002, tem sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Nepomuceno e Galvão integram a Promotoria Especializada em Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPE e comandaram as investigações que levaram ao afastamento de Élmer Guilherme e outros dirigentes da administração da Federação Mineira de Futebol (FMF), no ano passado. Resposta - O vice-presidente de Futebol do Cruzeiro divulgou nota na qual contesta pontos da reportagem e a vinculação feita entre sua evolução patrimonial e a do clube, salientando que foi sócio em empresas de faturamento elevado. Diz que o aumento do capital social citado foi realizado através de "reservas de lucros e correção monetária de balanço". Sobre o contador Euller Nogueira Mendes, afirma que ele foi convidado para ser conselheiro do Cruzeiro após "vários anos de bons e reconhecidos serviços ao clube, mantendo completa independência em seus exames". Zezé Perrella diz ainda que foi o "único dirigente do Brasil a oferecer espontaneamente" seu sigilo fiscal e bancário para a CPI do Futebol. "O mesmo estou fazendo a partir de agora com a presidência e o conselho fiscal do clube para que não paire dúvidas sobre minha idoniedade". O presidente Alvimar Perrella não havia, até o final da tarde de hoje, se pronunciado sobre o assunto.

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